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Projeto “Diário da Mãe em Construção” amplia acolhimento e dá voz à maternidade real em Lafaiete

Terceiro volume reúne novas histórias, fortalece ações presenciais e consolida iniciativa como espaço de escuta e partilha



Foto: Divulgação


Segundo a idealizadora, a iniciativa surgiu da necessidade de acolher outras mulheres e dar visibilidade às experiências da maternidade


Criar um ambiente seguro para compartilhar vivências, angústias e aprendizados foi o ponto de partida do projeto “Diário da Mãe em Construção”, idealizado por Nívea Cristina da Silva Viana, mãe, esposa, coordenadora da iniciativa, educadora parental e psicóloga em formação. A proposta nasceu em 2021, durante a pandemia, período marcado pelo isolamento e pela intensificação de sentimentos como solidão, insegurança e angústia.

Segundo a idealizadora, a iniciativa surgiu da necessidade de acolher outras mulheres e dar visibilidade às experiências da maternidade. “O projeto surgiu a partir de algumas necessidades, entre elas dar voz às mães e buscar um lugar seguro para falar sobre a maternidade real. A pandemia intensificou isso, principalmente pelos momentos de solidão e insegurança. Ao conversar com poucas mães das quais eu tinha acesso, identifiquei que não era só comigo”, relata.

A partir desse contexto, nasceu a proposta de criar um espaço de escuta e troca. “Então pensei em buscar alguma alternativa que suprisse essa demanda”, completa Nívea.O projeto chega agora ao terceiro volume, trazendo mudanças significativas em relação às edições anteriores. Desta vez, a construção do livro ocorreu também por meio de atividades presenciais, com oficinas de escrevivências realizadas em parceria com associações. “Esse livro foi construído a partir da necessidade de atividades presenciais. Ele se destaca pela maior quantidade de coautoras e por relatos de maternagem atípica e também de mães privadas de liberdade”, explica.

Um dos principais diferenciais da iniciativa é o uso de cartas anônimas, que contribuem para a criação de um ambiente de confiança e acolhimento. De acordo com Nívea, o anonimato é essencial para garantir liberdade de expressão. “Ele permite que a autora relate suas vivências como desabafo, reduzindo o julgamento alheio, que muitas vezes inibe essa exposição. Também representa cuidado com outras pessoas envolvidas nos relatos, como filhos e companheiros”, destaca.

O projeto conta com o apoio do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), especialmente nos campi de Ouro Preto e Congonhas, que reconhecem a ação como projeto de extensão. A parceria viabiliza a participação de professores, servidores e alunos bolsistas, responsáveis por atividades como administração do blog, divulgação e desenvolvimento de novas ferramentas. “O IFMG tem papel fundamental para a continuidade do projeto. Os alunos trazem ideias novas, criatividade e inovação”, afirma. Um dos resultados dessa colaboração é a criação da Aurora, um chatbot desenvolvido a partir de um trabalho de conclusão de curso na área de inteligência artificial. “Ela ajuda na divulgação semanal das cartas, na busca por conteúdos específicos e orienta como enviar novas histórias”, explica.

As oficinas de escrevivências também têm gerado impactos significativos entre as participantes. “Não só as oficinas, mas o projeto em si proporciona transformação através da identificação e do aprendizado. Já me senti representada em várias cartas, e outras pessoas também relatam isso”, conta. Em encontros realizados, por exemplo, com mulheres da APAC, os relatos evidenciam mudanças emocionais. “Muitas dizem que chegam de uma forma e saem mais calmas, com mais esperança. Algumas tiveram a oportunidade de falar e escrever coisas que nunca tinham contado para ninguém, nem para pessoas próximas”, relata. “Outras se surpreendem ao ver suas palavras publicadas e percebem sua própria capacidade de escrita.”

Com mais de 200 cartas reunidas, o projeto segue ampliando seu alcance e fortalecendo a rede de apoio construída ao longo dos anos. O terceiro volume reúne cerca de 100 dessas narrativas, escritas por aproximadamente 80 autores, com idades entre 15 e 82 anos, incluindo participantes de diferentes contextos sociais, zonas urbanas e rurais, mães típicas e atípicas, além de mulheres em privação de liberdade.

O lançamento da nova obra será realizado no dia 8 de maio de 2026, às 19h, no Solar Barão do Suaçuí, em Conselheiro Lafaiete, com entrada gratuita. A expectativa é de um momento marcado por emoção e reconhecimento. “É sempre emocionante ver mulheres que, pela primeira vez, terão a experiência de autografar um livro como coautoras. São histórias reais que reforçam a minha crença de que toda mãe tem uma história que merece ser contada”, afirma.

Para o futuro, a proposta é manter o espaço aberto ao diálogo e à escuta sem julgamentos, incentivando que mais pessoas compartilhem suas experiências. “A ideia é continuar com esse espaço e esperar o que essa nova geração de bolsistas, jovens e criativos, pode agregar ao projeto”, conclui Nívea.




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Postado por Rafaela Melo, no dia 30/04/2026 - 16:00


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