Foto: Edmilson Dutra
Fabiana Rodrigues participou do CORREIO Entevista, com a jornalista Rafaela Melo
O aumento de casos de ansiedade, especialmente entre crianças e adolescentes, tem relação com o uso excessivo de telas e redes sociais. O tema é abordado pela terapeuta ocupacional Fabiana Rodrigues durante participação no Correio Entrevista, exibido na terça-feira, dia 14, ao explicar os impactos na saúde mental, no desenvolvimento e na qualidade de vida. Segundo a especialista, a ansiedade é natural, mas se torna patológica quando compromete atividades do dia a dia.
“Todo mundo sente ansiedade em algum momento. Ela passa a ser um problema quando interfere nas funções diárias, gera medo, sudorese, falta de concentração e agitação”, afirma. De acordo com a terapeuta, os quadros têm surgido cada vez mais cedo, o que já se reflete na prática clínica. “O atendimento é majoritariamente infantil, com pacientes de até 13 ou 14 anos, sempre com participação familiar. Isso porque a gente precisa tratar na fonte. Não é só a criança; a família também precisa participar do processo”, explica.
A influência das redes sociais aparece como fator relevante, principalmente pela comparação com conteúdos idealizados. “Isso pode gerar baixa autoestima, depressão e até síndrome do pânico, porque a pessoa tenta alcançar uma realidade que não existe”, afirma. Entre adolescentes, a vulnerabilidade é maior. “Os jovens se comparam muito e, com o acesso às redes sociais, acabam criando expectativas irreais e desenvolvendo ansiedade de difícil tratamento”, alerta.
Quando procurar ajuda
Entre os sinais de alerta estão dependência do celular, dificuldade de concentração, irritabilidade e necessidade constante de verificar notificações. “Quando o adolescente não consegue se concentrar ou precisa estar sempre com o celular, já é um sinal importante para buscar ajuda”, diz. Segundo a especialista, a percepção sobre o tema mudou após a pandemia.
“Antes, muitas pessoas achavam que era frescura. Hoje, existe mais compreensão e aceitação de que a ansiedade pode ser tratada e controlada”, afirma. Ela orienta buscar terapia ocupacional quando a ansiedade compromete atividades básicas. “Quando a pessoa não consegue realizar atividades do dia a dia, como brincar, estudar, trabalhar ou interagir, é importante buscar ajuda”, explica.
Como reduzir o tempo de tela
Para reduzir o tempo de exposição, a orientação é investir em convivência. “Não precisa ser por horas. Pode ser alguns minutos dedicados a uma conversa, brincadeira, caminhada ou passeio”, afirma. Ela também destaca a importância do tempo ocioso para o desenvolvimento. “É importante não ter o que fazer para que o cérebro crie alternativas e desenvolva a criatividade”, diz. O uso das redes deve ser acompanhado. “Existem conteúdos que podem contribuir para o desenvolvimento. O importante é usar a tecnologia a favor, e não contra”, ressalta. A prática de atividade física, boa alimentação e momentos de lazer também ajudam no controle da ansiedade.
Durante a entrevista, a terapeuta relata o caso de uma criança entre três e quatro anos com atraso na fala, dificuldades para dormir, dependência de telas e problemas de interação. Após acompanhamento multidisciplinar e redução do tempo de exposição, houve evolução no desenvolvimento. Ao final, reforça a importância da participação familiar. “Não é possível zerar, mas é possível diminuir. Tenha tempo de qualidade com os filhos e invista em rotina, lazer, atividade física e boa alimentação”, conclui.
Terapeuta ocupacional Fabiana Rodrigues
Endereço: avenida Dom Pedro II, 40, sobreloja e conjuntos de salas 101 e 103, no São Sebastião
Contatos: (31) 97575-0026 e @clterapiasensorial
Confira a entrevista completa aqui
Você está lendo o maior jornal do Alto Paraopeba e um dos maiores do interior de Minas!
Leia e Assine: (31)3763-5987 | (31)98272-3383
Postado por Rafaela Melo, no dia 25/04/2026 - 16:28