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Buscas por recuperação fiscal somam mais de 18 mil em 2025

Crescimento do interesse pelo tema coincide com cenário econômico desafiador e 20 anos da Lei 11.101, que modernizou o direito empresarial brasileiro



Foto: iStock/ William_Potter


A interpretação desses dados se fundamenta em um contexto econômico delicado

O endividamento corporativo atingiu índices históricos e provocou um aumento na procura por recuperação fiscal no Google. Nos últimos 12 meses, foram registradas mais de 18 mil buscas, segundo Galvão & Silva, escritório de advocacia, que também identificou o ranking de empresas mais pesquisadas junto da expressão “faliu”.  A interpretação desses dados se fundamenta em um contexto econômico delicado. Afinal, neste ano, o Brasil atingiu o recorde de 7,3 milhões de empresas em situação de inadimplência, conforme divulgação da Serasa Experian. O valor negativado superou as métricas anteriores ao chegar em R$ 169,8 bilhões.  Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional debate mudanças no processo de negociação de dívidas, através do PL 3/2024. Tudo isso em meio ao ano de celebração dos 20 anos de promulgação da Lei 11.101 de Recuperação Judicial, Extrajudicial e Falências, conhecida por ter modernizado o setor e ser fundamental para a preservação da atividade empresarial.

Empresas que “faliram”
Além do movimento de investigação sobre os dispositivos legais para recuperação econômica das empresas, os resultados do estudo de Galvão & Silva, revelam que o público geral tem curiosidade sobre as crises financeiras de grandes companhias. Isso se revela pelo ranking das empresas que faliram no país.  Entretanto, nem todos os nomes que aparecem na lista de mais buscados encerraram seus negócios. Inclusive, existem instituições que sequer entraram formalmente com pedido de falência na Justiça. Diante disso, o padrão de pesquisas sugere dúvidas reais e até mesmo receios, provavelmente relacionados a desinformação. Diante disso, é importante entender a situação de cada negócio.

         Americanas

A falência mais vista no Google foi da Americanas, com 14 mil buscas. Hoje, o grupo se beneficia do dispositivo legal para recuperação judicial (RJ). A diretora financeira Camille Loyo Faria compartilhou, em entrevista à CNN Brasil, a expectativa de retomada financeira, prevista para o final de fevereiro de 2026. Ou seja, não houve encerramento das atividades.

         Tupperware

Após queda de 74,5% nas ações em 2024, a empresa entrou com pedido de falência nos Estados Unidos e está em processo de recuperação. 

         Nubank

Desde 2022, circulam boatos na internet de que o banco abriu falência. A instituição, em todas as oportunidades, negou quaisquer especulações ligadas ao assunto.

         123 milhas

O pedido de recuperação fiscal foi aceito pela Justiça em 2023 e até o final de 2024 passou por períodos de instabilidade. Atualmente, continua com o processo aberto.

         Saraiva

A rede de livrarias teve a sua falência decretada pela Justiça de São Paulo em outubro de 2023.

         Ricardo Eletro

Embora tenha tido a falência decretada por três vezes, conseguiu reverter judicialmente. Em recuperação e com lojas físicas fechadas, opera com e-commerce.

         Starbucks

A rede de cafeteria enfrentou uma crise financeira em 2023, e sua retomada ocorreu somente quando outra operadora assumiu a gestão.

         Oi

A Oi teve sua falência decretada recentemente, no dia 10 de novembro de 2025, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os serviços essenciais continuarão mantidos durante o processo de venda de ativos e transição financeira.

         Will Bank

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central no início de novembro, não atingiu o Will Bank. O banco digital continua operando normalmente.

         Salt Bae

A rede de restaurantes não opera atualmente no Brasil, mas enfrenta dificuldades econômicas em unidades de outros países.

O que é recuperação judicial?
Como visto, quando uma empresa entra em situação de inadimplência no Brasil, antes que a falência seja decretada pela Justiça, existem recursos a serem acionados para garantir a viabilidade do negócio e preservar a função social e econômica das companhias. O principal deles é a recuperação judicial, que varia conforme a natureza dos débitos em negociação.

Esse dispositivo legal segue a normativa da Lei nº 11.101/2005, que completou, em fevereiro deste ano, 20 anos de vigência no Brasil. Ela permite a reorganização financeira sem o encerramento total das atividades – um modelo inspirado em projetos internacionais, como o Capítulo 11 norte-americano.  Ao longo das duas décadas, passou por reformulações, como a de 2020. O dispositivo na Lei nº 14.112/2020 regulamentou garantias para financiadores, condição que favoreceu a injeção de recursos para os credores. Consequentemente, o número de empresas que entraram com pedido de recuperação judicial aumentou.  Outras alterações estão previstas para um futuro próximo. O Projeto de Lei 3/2024 propõe alterar a Lei nº 11.101/2005, a fim de aprimorar o instituto da falência do empresário e da sociedade empresária. Entre as melhorias, estão a possibilidade de o credor indicar o gestor fiduciário para a recuperação judicial, a redução de prazos e a desburocratização do processo. O texto está em discussão.

 

 

 

 

 

 




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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 18/12/2025 - 17:20


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