Foto: Divulgação
Jorge é homenageado pelo então diretor das laminações da Gerdau, Vinicius Coelho, no seu último dia de serviço (15/12/2017)
“Sempre trabalhei em serviços braçais, com muito orgulho: seja como lavrador, seja como metalúrgico. Sempre me identifico como caipira. Não, claro, como o descrito por Monteiro Lobato”. Assim o aposentado, amante das letras e devorador de livros Jorge Aparecido Tavares, morador de Ouro Branco, e filho de Maria Palmeira, na zona rural de Cristiano Otoni, resume sua vida.
Na quarta-feira, dia 1º de outubro de 2025, Tavares conversou com a reportagem do Jornal CORREIO e Portal de notícias CORREIO Online, na biblioteca de sua casa, para falar de sua vida, costumes e de um feito extraordinário que carrega desde dezembro de 2017, quando se desligou da Gerdau Açominas.
Ele trabalhou por 28 anos, três meses e 15 dias na área da empresa e, nesse período, não apresentou nenhum atestado e nem tampouco faltou ao serviço. Perguntado sobre qual seria o segredo para manter-se tanto tempo numa empresa sem advertências e faltas, Jorge foi enfático: “Não há segredo. São acontecimentos naturais na vida do ser humano. Sempre fui comprometido com as empresas nas quais trabalhei e, sobretudo, com meus colegas de trabalho com os quais aprendi muito. Não interpelei nenhuma firma na justiça”, afirmou.
Na opinião de Tavares, o recado para as pessoas que estão entrando no mercado de trabalho atualmente e pretende longevisar, crescer e se tornar bons profissionais e excelentes pessoas no ambiente de trabalho, o importante é prestar muita atenção na proposta da empresa, nas normas estabelecidas e cumpri-las com zelo e rigor. É preciso ser parceiro e paciente com os colegas de trabalho, para que o ambiente seja salutar , para o bem de todos”.
Instigado a falar sobre sua idade e seu estado civil, Jorge cunhou uma frase que merece ser gravada nos anais da história: “Em relação ao estado civil, sou casado comigo mesmo. Sobre minha idade, prefiro recorrer ao saudoso escritor juiz-forano, Murilo Mendes, que disse o seguinte: sou filho de mil vidas sobrepostas...Se eu disser a minha idade estarei mentindo para mim mesmo e aos outros”.
Atualmente, o metalúrgico aposentado leva uma vida modesta, porém digna, na cidade de Ouro Branco, onde mantém uma rotina singular de leitura diária e visitas a espaços públicos que respiram vida, cultura e arte. Vez por outra, Jorge visita Lafaiete, onde pousa na Barbearia Pais e Filhos, para prosear e contar as novidades da vida. Além disso, faz visitas regulares à inesquecível Maria Palmeira, onde aproveita para rever amigos e familiares. Frequentemente, Jorge é convidado para recitar poemas e poesias de autores consagrados.
Há um mês, numa dessas andanças, foi a um evento, cujos organizadores pediram para recitar um poema. A escolha de Jorge recaiu sobre “Canção do Exílio”, de Casimiro de Abreu, que havia lido aos 8 anos de idade. Sua veia literária nasceu na infância, lendo os livros do extinto Mobral, que eram de seus irmãos João e Sebastião, que não tinham tempo para ler, por causa do trabalho na roça. Essa tarefa coube a Tavares.
Jorge Tavares na biblioteca de sua casa, em Ouro Branco
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Postado por Rafaela Melo, no dia 12/10/2025 - 17:13