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Mais de um terço da população de Lafaiete e Congonhas está inadimplente

Levantamento da Serasa Experian mostra Minas Gerais na liderança da alta por crédito no Sudeste; cenário local preocupa



Foto: Arquivo Jornal CORREIO


Em Lafaiete, dos 131.621 habitantes (Censo 2022), 45.537 estavam inadimplentes em agosto de 2025


Minas Gerais registrou a maior alta na procura por crédito entre os estados do Sudeste nos últimos 12 meses: 14,9%, quase o dobro da taxa de 2024 (7,4%). Os dados são do Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian e apontam o segundo maior crescimento mensal do ano, atrás apenas de fevereiro (15,4%).

O impacto, no entanto, aparece de forma mais nítida em cidades do Alto Paraopeba. Em Lafaiete, dos 131.621 habitantes (Censo 2022), 45.537 estavam inadimplentes em agosto de 2025 — o equivalente a 34,6% da população. O montante das dívidas chega a R$ 247,9 milhões, com ticket médio de R$ 5.445,32 por devedor.
Em Congonhas, o cenário é semelhante: 18.997 inadimplentes, ou 35,9% da população de 52.890 pessoas. O valor total das dívidas ultrapassa R$ 98,7 milhões, com média de R$ 5.199,09 por devedor.
Já em Ouro Branco, a proporção é bem menor. Dos 38.724 habitantes, 3.716 estão inadimplentes, o que corresponde a 9,6% da população. Ainda assim, o ticket médio por dívida é um dos mais altos da região, R$ 1.635,77, indicando compromissos individuais mais elevados.

Sudeste em perspectiva
No estado, 7,6 milhões de pessoas estão inadimplentes, representando 37,1% da população de 20,5 milhões de mineiros. O valor total das dívidas ultrapassa R$ 45,3 bilhões, o que equivale a R$ 2.210,87 por habitante, mesmo considerando aqueles sem dívidas. No Sudeste, São Paulo concentra o maior número absoluto de devedores (18,5 milhões), seguido por Rio de Janeiro (7,7 milhões), Minas Gerais (7,6 milhões) e Espírito Santo (1,3 milhão).

Quem mais busca crédito
Segundo a economista Camila Abdelmalack, da Serasa Experian, o aumento da procura por crédito em Minas reflete a inadimplência recorde dos brasileiros, que já soma 78,2 milhões de CPFs negativados. “O consumidor tem buscado alternativas para reorganizar o orçamento e manter compromissos em dia, mas os juros elevados encareceram as renegociações e restringiram o acesso ao crédito”, afirma.
O perfil predominante, de acordo com os dados nacionais, mostra maior avanço entre as faixas de até 1 salário mínimo (de 13,3% para 14,9% em um ano) e de 1 a 2 salários mínimos, que mais que dobrou (de 6,2% para 16,6%). Também houve crescimento relevante entre consumidores com renda superior a 5 salários mínimos, o que indica que o endividamento não atinge apenas os mais vulneráveis.
Em todo o Brasil, a busca por crédito cresceu 6,9% nos últimos 12 meses até julho, variação considerada modesta, mas que reforça a dependência das famílias de instrumentos de financiamento. Nesse cenário, começam a surgir alternativas como o Pix parcelado, apontado como potencial substituto do cartão de crédito.
Especialistas, no entanto, alertam para os riscos: o recurso pode aliviar o orçamento no curto prazo, mas tende a ampliar o endividamento no médio prazo.

Inadimplência e crédito

Lafaiete
População: 131.621
Inadimplentes: 
45.537 (34,6%)
Total em dívidas
R$ 247,9 milhões
Ticket médio por devedor: R$ 5.445,32

Congonhas
População: 52.890
Inadimplentes: 
18.997 (35,9%)
Total em dívidas: 
R$ 98,7 milhões
Ticket médio por devedor: R$ 5.199,09


Ouro Branco
População: 38.724
Inadimplentes: 
3.716 (9,6%)
Total em dívidas:
R$ 15,7 milhões

Ticket médio por dívida: R$ 1.635,77

 




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Postado por Rafaela Melo, no dia 12/10/2025 - 12:28


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