Muitas vezes, pensamos que o dinheiro é o que importa na vida. Um palestrante contou, em sua palestra: “Às vezes, nos iludimos pensando que os filhos de milionários são muito ricos e felizes. Certo dia, recebi um telefonema de um empresário, dono de uma grande empresa, para quem eu havia prestado consultoria. Ele me falou que o filho dele, de 23 anos, havia morrido. Eu estava viajando e não pude ir ao enterro. Ao retornar da viagem, fui visitar a família e participei de um ritual judeu, no qual se celebra durante sete dias após a morte.
Quando estava indo embora, o irmão mais velho chegou até mim e disse que havia encontrado a agenda do irmão, na qual viu que estava marcada uma reunião comigo, na semana seguinte à sua morte, para uma orientação de carreira. Pensou que, se o irmão tivesse conversado comigo, tudo poderia ter sido diferente.
Perguntei a causa da morte do irmão, e ele me falou, com os olhos cheios de lágrimas, que havia sido suicídio. O rapaz, que parecia saudável, havia se jogado de um prédio.
Não consegui trabalhar naquele dia, pois fiquei em choque. Pensava sobre a vida e sobre os rumos que ela pode tomar quando, na vida, temos tudo, menos amor, tempo, atenção e cuidado.
Os pais daquele jovem se dedicaram a construir um império. Provavelmente, não tiveram tempo para a família, para estar perto dos filhos e para perceber suas reais necessidades. Certamente, a necessidade maior não era dinheiro, mas, sim, consolo para a alma e superação da angústia.
O dinheiro não supre o afeto. Eles sempre tiveram um estilo de vida caro, rico em presentes, mas muito pobre em tempo.”
Caro leitor, essa pequena história já tem a sua lição. Naturalmente, não dá para jogar a responsabilidade do suicídio sobre os pais. A vida é tarefa de cada um. Esse filho, embora inserido nesse contexto, não teria razão para fazer isso. Nenhuma razão é razoável para o suicídio.
A pessoa que desiste de viver desiste de sua dor. Não precisamos jogar nos outros a culpa, nem em quem comete o ato. Se os outros são culpados, também aquele que se suicida mostra sua fraqueza.
O que podemos dizer é que nós podemos aprender com tudo. A vida é bonita e pode ser vivida com qualidade. Trabalhar, ganhar dinheiro, evoluir e ter sucesso, tudo é legítimo quando regado pelo amor.
O mundo precisa de mais amor. As famílias podem dedicar mais tempo para que o amor não falte. Pode até faltar outras coisas, mas o amor é o que dá sabor e alegria à vida.
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Escrito por Padre Ezequiel, no dia 25/09/2026
Padre Ezequiel Dal Pozzo é sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS). Cantor, escritor e compositor, lidera o Projeto Despertai para o Amor, de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou 7 CDs e 2 DVDs e 4 livros e viaja pelo Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações.
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