Temos uma ideia comum de que a vida passa pela cruz. A religião cristã nos diz que a ressurreição é precedida pela cruz. A vida é sempre vitoriosa, mas não acontece sem passar pelo sofrimento, pela morte.Essa ideia, por vezes, é complementada com a compreensão de que Deus nos dá cruzes. Ainda se ouve por aí este refrão: “Deus não te dá uma cruz maior do que você possa carregar”. Essa ideia, aparentemente piedosa, é perigosa ou, melhor, mentirosa.
Deus nunca deu cruzes para ninguém. Ele não dá cruzes. O que Deus mais faz é nos ajudar a sustentar a vida. Está conosco, ajudando-nos a carregar as cruzes para vencermos o sofrimento. Ele sustenta a realidade e a vida com seu amor. Nunca dá e nunca deu cruzes a ninguém.A vida, porém, passa pela cruz, pela dor e pelo sofrimento. Não há quem não sofra, quem não experimente a força do limite. Sofremos porque somos limitados e finitos. Somente a plenitude pode nos livrar do sofrimento. E não há plenitude enquanto estamos vivos neste mundo.Pleno significa completo, sem limite, sem finitude, sem carências, sem desejos; feliz por ser o que é, sem necessidade de nada além daquilo que tem, pleno na realidade em que está. Só a plenitude será uma realidade sem dor.
Ocorre que o ser humano é finito, limitado, carente e está sempre desejando algo mais. Quer a plenitude. Porque é limitado, passar pela dor e pelo sofrimento torna-se uma realidade inevitável.Podemos aprender a lidar com os sofrimentos. Quem se rebela ou se revolta contra o sofrimento sofre mais. Para lidar bem com o sofrimento, a primeira coisa é perceber que a vida é composta de luz e cruz, de alegrias e dor, de perdas e ganhos.Não é correto pensar que é possível viver sem sofrimentos. Não posso anestesiar a dor com analgésicos o tempo todo. A dor existencial não se acomoda com remédios. Preciso encarar a dor, carregá-la. E carregar significa suportar o peso da dor.
Não é possível se livrar da dor da vida segundo a nossa vontade. Pela nossa vontade, não gostaríamos de sofrer. Ninguém quer o sofrimento. Contudo, quando ele acontece em nossa vida, precisamos saber que é um peso que precisamos carregar e suportar.Esse peso também pode ser compartilhado com quem amamos e com Deus, a quem podemos confiar nossas dores. Porém, fundamentalmente, a dor é algo meu, intransferível, com o qual posso aprender a lidar de um jeito inteligente, para que se torne menos pesado e mais suportável.Quem não aprende a lidar com a dor pode ser esmagado pelo peso do sofrimento. Não conseguindo carregar essa dor, pode até querer desistir da vida. Nessa hora, a pessoa pode dizer que a cruz lhe é pesada demais, insuportável.
Aprender a lidar, suportar e carregar a dor é passar da cruz à luz. Viver a vida de forma consciente e inteligente significa assumir esse processo o tempo todo.Com mais ou menos intensidade, todos passamos pela dor e também experimentamos a alegria da superação. Essa é a construção da vida, que se faz na aprendizagem constante entre perdas e ganhos, dores e alegrias, cruz e luz.
Despertemos sempre mais para o amor!
Você está lendo o maior jornal do Alto Paraopeba e um dos maiores do interior de Minas!
Leia e Assine: (31)3763-5987 | (31)98272-3383
Escrito por Padre Ezequiel, no dia 14/08/2026
Padre Ezequiel Dal Pozzo é sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS). Cantor, escritor e compositor, lidera o Projeto Despertai para o Amor, de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou 7 CDs e 2 DVDs e 4 livros e viaja pelo Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações.
Contato: [email protected]