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Consumo de peixe cresce duas vezes mais que o índice populaciona



Você prefere a boa, ou a má notícia primeiro? A boa é que o consumo de peixe tem crescido muito. E como se trata de um alimento saudável, esse seria um bom motivo para comemorar. A má notícia é que, para variar, o planeta anda pagando a conta pela desorganização, descumprimento à legislação ambiental e descuidos do homem. Em 2016 (ano com dados consolidados mais recentes), foram, em média, 20,3 kg por pessoa em 2016, comparado a pouco menos de 10 kg por habitante há quatro décadas. Desde 1961, segundo a ONU, o crescimento anual do consumo de peixe tem sido duas vezes maior do que o crescimento populacional e já representa 17% do consumo de proteína no mundo. 

De acordo com esses dados, mais da metade da produção mundial de pescado (53%) é suprida pela aquicultura, um setor que se expandiu rapidamente durante os anos 80 e 90 e que, em 2016, alcançou 80 milhões de toneladas. Mas isso não significa que a pressão sobre os oceanos diminuiu. De acordo com os dados da última edição do relatório Estado da Pesca e Aquicultura Mundiais (Sofia, na sigla em inglês), divulgado pela FAO, cerca de 30% das principais espécies de peixes comerciais monitoradas pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estão submetidas a níveis biologicamente insustentáveis de pesca, situação considerada ?preocupante? pela entidade. Há quarenta anos, apenas 10% eram pescadas de maneira insustentável, enquanto 90% eram exploradas em níveis biologicamente sustentáveis, ante a taxa atual de 59,9%, o que revela uma tendência nociva de longo prazo. 

Mediterrâneo e Mar Negro, a sobrepesca assume caráter crônico: 62,2% dos estoques de peixe são explorados acima da capacidade de reposição do ecossistema. No sudeste do Pacífico, o índice chega a 61,5%. A região que abrange 30 milhões de km² a partir da costa ocidental da América do Sul, da Colômbia até o Chile. Em 2016, foram capturados na natureza 90,9 milhões de toneladas de peixes, um ligeiro decréscimo de 2 milhões de toneladas em relação ao ano anterior, devido, principalmente, ao fenômeno El Niño. Em geral, o volume de capturas estabilizou-se desde a década de 1990, segundo a FAO, graças ao crescimento da produção em cativeiro.


Pesca fantasma


Também serão necessários maiores esforços para combater o abandono de restos de materiais de pesca e a contaminação por microplásticos nos oceanos. A cada ano, cerca de 640 mil toneladas de equipamentos são deixados nos mares, colocando em risco a vida de milhares de seres marinho, prática conhecida como pesca fantasma. Segundo a ONG World Animal Protection (Proteção Animal Mundial), de 5% a 30% do declínio de algumas espécies marinhas pode ser atribuído aos petrechos fantasma, número que tende a aumentar se nada for feito.Sete em cada dez (71%) animais capturados por esses materiais abandonados acabam morrendo nos oceanos. 

Além do risco ao  animal, equipamentos fantasmas geram alto impacto ambiental por serem, em geral, feitos de plástico, o que agrava a poluição nos oceanos. 


(Com informações da Revista Exame)


Escrito por Pesca, no dia 31/08/2018