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Cultura


Estudante de cinema de Queluzito produz curta-metragem em Monte Formoso

“Jenipapo não Tem Fim” é realizado como trabalho de conclusão de curso e valoriza histórias e cultura do interior de Minas



Foto: Divulgação


Produtores do curta-metragem 


O estudante de Cinema e produtor João Carlos, natural de Queluzito, integra a equipe de “Jenipapo não Tem Fim”, curta-metragem de época ambientado em Monte Formoso, no Vale do Jequitinhonha. O projeto é desenvolvido como trabalho de conclusão de curso. À frente da Oak Company, produtora audiovisual que atua em diferentes municípios, João Carlos participa da iniciativa ao lado de Natane Alves, natural de Monte Formoso, responsável pela direção e pelo roteiro do filme. A produção independente se passa na década de 1970 e utiliza referências culturais, familiares e sociais do interior de Minas Gerais para construir a narrativa.“Para nós, realizar esse filme é também uma oportunidade de mostrar que o cinema pode ser produzido no interior, por pessoas que vivem e conhecem essa realidade”, destaca João.Com experiência em trabalhos audiovisuais realizados no interior de Minas Gerais, João Carlos também esteve envolvido na realização do Festival Gastronômico Sabores das Villas.

História nasceu em Monte Formoso
Dirigido e roteirizado por Natane Alves, também estudante de Cinema e Audiovisual, o curta-metragem nasceu de experiências vividas pela cineasta em Monte Formoso, onde nasceu e cresceu. A narrativa reúne elementos de suas memórias e de histórias ouvidas dos pais e avós.A ideia surgiu durante uma conversa com um tio, na propriedade rural da família. Natane tentava convencê-lo a viajar com ela para a praia. A cada justificativa apresentada por ele para não ir, ela buscava uma solução. Quando uma questão era resolvida, outra surgia.A situação despertou uma reflexão sobre a dificuldade de sair, conhecer outros lugares e se colocar diante das possibilidades existentes além do universo conhecido.“Essa história nasceu de algo muito simples, de uma conversa que tive com meu tio, mas que acabou despertando muitas reflexões sobre os limites que a gente cria para a própria vida. Monte Formoso está na origem de tudo isso porque é o lugar onde cresci e de onde vêm muitas das referências presentes no filme”, conta Natane.

Anezia e o desejo de conhecer o mundo
A trama acompanha Anezia, uma criança curiosa, sonhadora e questionadora. Uma fotografia do mar desperta nela o desejo de conhecer o que existe além do mundo que conhece.Para Natane, a personagem representa alguém que começa a questionar aquilo que parece determinado para sua vida. Anezia também reúne características inspiradas no pai da diretora, que, segundo ela, sempre foi uma pessoa sonhadora e, entre os irmãos, foi quem mais buscou conhecer outros lugares.

Comunidade participa da produção
A comunidade de Monte Formoso tem participação direta no projeto. O elenco é formado por moradores, enquanto grande parte da equipe também é da cidade. As gravações serão realizadas em espaços cedidos pela população.Figurinos e objetos utilizados nas cenas foram emprestados pelos moradores, e familiares de Natane também participam do trabalho.A proposta é construir a obra em conjunto com a comunidade, incorporando ao filme elementos presentes na vida e na memória do município.

Cultura além dos estereótipos
Outro objetivo da obra é questionar os estereótipos associados ao Vale do Jequitinhonha. A intenção não é esconder as dificuldades existentes, mas apresentar também a riqueza cultural, as histórias, as pessoas, as relações e as diferentes formas de viver no território.A produção propõe uma reflexão sobre os conceitos de pobreza e riqueza e sobre como essas percepções podem mudar de acordo com o lugar de onde cada realidade é observada.“Eu quero que as pessoas conheçam Monte Formoso por outros caminhos. O Vale do Jequitinhonha tem dificuldades, mas também tem uma riqueza enorme de histórias, pessoas, cultura e modos de viver. O filme nasce justamente desse desejo de mostrar essas outras dimensões”, reforça Natane.

Desafios de uma produção independente
A logística está entre os principais desafios enfrentados pela equipe. Parte dos profissionais vem de outras localidades, o que envolve custos com transporte, alimentação, equipamentos e deslocamentos.Com recursos limitados, os estudantes buscam alternativas e contam com a colaboração da comunidade. Esse processo também cria uma rede de apoio local para viabilizar as gravações.Para João Carlos, a experiência reforça a possibilidade de desenvolver produções cinematográficas fora dos grandes centros e de aproximar profissionais que atuam em diferentes cidades do interior.

Exibição e festivais
Depois de concluído, “Jenipapo não Tem Fim” deverá ser inscrito em festivais de cinema, principalmente universitários, mineiros e regionais, além de buscar outros espaços de exibição.Uma sessão em Monte Formoso está entre os objetivos da equipe. A intenção é proporcionar aos moradores que participaram do elenco, emprestaram casas, objetos e figurinos ou contribuíram de alguma maneira com o trabalho a oportunidade de assistir à obra.A ideia é que, antes de levar a história para outros lugares, o próprio município possa conhecer o resultado de uma produção construída a partir de suas pessoas, memórias e paisagens.

Um convite para sonhar
Para Natane, o filme também pretende provocar uma reflexão sobre sonhos, limites e as possibilidades que cada pessoa acredita ter.Uma fala de Anezia resume parte dessa questão: “E se a gente crescer e ficar igual os adulto?”A frase expressa o receio da personagem de crescer e passar a acreditar nas mesmas impossibilidades que os adultos ao seu redor acreditam. A partir disso, a narrativa questiona até que ponto determinados limites existem de fato e quanto deles é aprendido ao longo da vida.Ao mesmo tempo, “Jenipapo não Tem Fim” pretende apresentar Monte Formoso por outro olhar: não apenas como um lugar distante ou associado à pobreza, mas como um território de histórias, sonhos, pessoas e riquezas que também podem ocupar espaço no cinema.

Como apoiar
Quem quiser conhecer o projeto e contribuir com os jovens envolvidos na produção pode entrar em contato pelas redes sociais @de_joaocarlos e @natanealvss.




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Postado por Rafaela Melo, no dia 18/09/2026 - 12:43


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