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Enfermagem também é saber ouvir: escuta e empatia fazem parte do cuidado

Para além dos procedimentos técnicos, profissionais precisam estar atentos às histórias, queixas e necessidades dos pacientes para oferecer uma assistência mais humanizada



Foto: Divulgação


 

Cuidar de um paciente vai muito além de realizar procedimentos, administrar medicamentos ou acompanhar sinais vitais. Na enfermagem, saber ouvir, acolher e compreender o que o paciente está vivenciando também são partes fundamentais da assistência. A escuta atenta pode ajudar a esclarecer situações, identificar necessidades e até perceber sinais que poderiam passar despercebidos em um atendimento mais focado apenas nos sintomas.

De acordo com a coordenadora e docente dos cursos da área da Saúde do Senac Santana do Livramento, Aurélia Ribas, saber ouvir permite compreender diferentes vivências e identificar situações que nem sempre são percebidas em um primeiro momento. “Através da escuta muitas situações se esclarecem”, explica. A atenção à fala e aos sinais apresentados pelo paciente também ganha ainda mais relevância durante o Setembro Amarelo, período que reforça a importância do diálogo, do acolhimento e da atenção às pessoas em sofrimento emocional.

Para a docente, ouvir o paciente com atenção também é uma forma de evitar julgamentos. “A escuta nos impede de julgar. Muitas situações se esclarecem, pacientes que não são ouvidos ou que são subjugados”, afirma. Segundo ela, a comunicação pode ser especialmente importante diante de situações em que o paciente já passou por diferentes serviços de saúde sem conseguir solucionar seu problema.

Ouvir é diferente de escutar

Embora as palavras possam parecer sinônimas, Aurélia chama atenção para uma diferença importante entre ouvir e escutar. “Escutar é um ato biológico e automático. Enquanto ouvir exige atenção e intenção consciente”, explica. Essa postura pode ser decisiva para identificar informações que vão além da queixa inicial. Durante uma conversa, o profissional pode perceber sintomas, situações de violência ou alterações no comportamento.

A comunicação também ganha relevância no atendimento de pacientes em sofrimento psíquico, que podem enfrentar ainda o estigma relacionado à doença mental. “Pessoas com embotamento afetivo, em tratamento psíquico são pessoas que expressam a necessidade dessa escuta, que sofrem com o estigma da doença mental. É um dos exemplos mais presentes”, comenta.

Acolhimento na área da saúde

Durante o Setembro Amarelo, estar atento à comunicação verbal e aos sinais apresentados pelo paciente pode contribuir para identificar casos de sofrimento e possibilitar que ele receba acolhimento e encaminhamento adequado. Para Aurélia, em circunstâncias de fragilidade, medo ou insegurança, o acolhimento também contribui para estabelecer uma relação de confiança.

Colocar-se no lugar do paciente, oferecer um atendimento humanizado e, quando possível, construir um vínculo são atitudes importantes. Essa relação pode favorecer a identificação e o encaminhamento de situações delicadas, como violência, automutilação e comportamentos suicidas.

Habilidades humanas também são desenvolvidas na formação

A capacidade de se comunicar e estabelecer relações de confiança não precisa ser encarada apenas como uma característica pessoal. Para Aurélia, as habilidades interpessoais também são desenvolvidas durante a formação dos profissionais. “Com certeza, é nítida a diferença de quando o aluno ingressa no curso e quando finaliza. Através de simulações e práticas em laboratório, o aluno vai desenvolvendo não só as habilidades técnicas como também as interpessoais, dentre elas a comunicação”, afirma.

Em uma rotina marcada por pressão, urgências e grande demanda, manter a humanização pode ser um desafio. Ainda assim, a docente defende que o profissional não perca de vista a pessoa que está sendo atendida. “Se colocando no lugar desse paciente, tratando-o com humanização, lembrando que esse paciente é importante para alguém”, ressalta.

A comunicação também se estende aos familiares e acompanhantes. Em casos mais graves, quando o paciente não consegue se expressar, o diálogo com quem o acompanha pode complementar informações importantes para compreender o contexto. Para a docente, o principal resultado de um atendimento deve ser que o paciente se sinta respeitado e acolhido. “A importância do bem cuidar e cuidar com empatia. Amanhã pode ser você ou seu familiar passando por essa situação e com certeza o paciente que está ali é o amor da vida de alguém”, conclui.


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Postado por Maria Teresa, no dia 16/09/2026 - 12:39


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