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Redação do Enem 2026: veja os temas que merecem atenção dos candidatos

Especialista do Bernoulli Educação aponta eixos temáticos em destaque e reúne repertórios e estratégias para os candidatos se prepararem para a prova



Foto: Freepik


 

Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, que será realizado nos dias 8 e 15 de novembro, estudantes de todo o país intensificam a preparação para uma das etapas mais decisivas da prova: a redação, única parte discursiva do exame. Além do domínio da escrita, os candidatos precisam demonstrar capacidade de interpretar, argumentar e mobilizar repertório sociocultural para discutir uma problemática de relevância nacional.

Nesta reta final, a busca pelo possível tema da redação ganha força entre os candidatos. Entretanto, mais importante do que acertar qual será a proposta, é compreender os grandes debates da atualidade e desenvolver a habilidade de relacionar diferentes conhecimentos ao problema apresentado pela prova.

“É fundamental que o estudante entenda que o Enem não cobra apenas um assunto específico, mas a capacidade de analisar uma questão social, considerar seus impactos e elaborar uma proposta de intervenção. O candidato precisa estar atento aos problemas que o Brasil enfrenta e apresentar repertórios que realmente dialoguem com a argumentação construída”, explica a professora de Língua Portuguesa e Redação do Bernoulli Educação, Sidinéia Azevedo.

Para auxiliar os estudantes, a especialista analisou os principais eixos temáticos que podem estar no radar do Inep e compartilha caminhos de estudo, referências e estratégias para fortalecer a argumentação.


Cidadania, direitos sociais e educação

Entre os eixos que merecem a atenção dos candidatos está o de cidadania, direitos sociais e educação. Segundo Sidinéia, o Inep costuma direcionar a discussão para grupos que enfrentam situações de vulnerabilidade e para problemas que ainda demandam respostas da sociedade e do poder público.

A proteção da mulher, por exemplo, continua no radar mesmo após o Enem já ter abordado diretamente a violência contra esse grupo. Além disso, neste ano a Lei Maria da Penha completou 20 anos de vigência. Para a professora, o candidato deve ampliar o olhar e estar atento a problemas como misoginia, comportamentos masculinistas e relações abusivas.

Outro possível recorte é com relação à pressão estética. “A busca por um determinado padrão corporal, a influência das redes sociais, o aumento do uso das ‘canetas emagrecedoras’ e os impactos desse processo na autoestima e na saúde mental podem ser relacionados a discussões sobre desigualdade de gênero e construção social dos padrões de beleza”, afirma.

Dentro do eixo, os desafios do sistema educacional brasileiro também podem ser abordados, como o acesso a uma educação de qualidade, a evasão escolar e o analfabetismo funcional. A professora destaca a importância de os candidatos conhecerem documentos fundamentais, como a Constituição Federal, sempre buscando relacionar artigos específicos das normas ao tema discutido.


Para construir repertório:

  • Constituição Federal: artigos relacionados a direitos sociais, educação e proteção de grupos vulneráveis;
  • Maid: a minissérie da Netflix trata de assuntos como violência psicológica, relações abusivas, vulnerabilidade social e autonomia feminina;
  • O Conto da Aia: a obra de Margaret Atwood permite discutir controle sobre o corpo feminino, perda de direitos, opressão e desigualdade de gênero.

Crianças e adolescentes

A proteção de crianças e adolescentes aparece como outro recorte importante. O tema pode ser abordado a partir de diferentes problemas contemporâneos, como a exposição de menores nas redes sociais, a violência, a negligência familiar e a responsabilidade da sociedade na garantia de direitos.

Um ponto de atenção é a violência vicária. Em abril de 2026, a Lei nº 15.384 passou a prever essa forma de violência entre as modalidades de violência doméstica e familiar e criou o crime de vicaricídio, relacionado a situações em que filhos, parentes ou dependentes são utilizados para causar sofrimento, punição ou controle sobre uma mulher.


Para construir repertório:

  • Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ECA Digital: conhecer os direitos fundamentais previstos na legislação e compreender os desafios quanto à proteção de crianças e adolescentes na internet;
  • Capitães da Areia, de Jorge Amado: a obra permite discutir vulnerabilidade social, abandono e as condições de vida de crianças e adolescentes em situação de pobreza;
  • O Poderoso Chefinho: a animação pode ser relacionada à inversão de papéis entre pais e filhos e à dificuldade de estabelecer limites e lidar com a frustração na educação das crianças;
  • Pequena Miss Sunshine: o filme pode ser utilizado para discutir a pressão estética e a imposição de padrões de beleza desde a infância, além dos impactos dessas expectativas sobre crianças e adolescentes.

Saúde e bem-estar

O eixo da saúde e do bem-estar merece destaque especialmente diante de mudanças no comportamento das pessoas e de novos desafios para a saúde pública. Um dos pontos de atenção é o processo de medicalização da sociedade, como o uso de medicamentos para melhorar o desempenho, controlar emoções ou buscar resultados rápidos, algo que tem ganhado espaço inclusive entre estudantes. Outro debate contemporâneo envolve o uso da inteligência artificial (IA) para buscar diagnósticos, tratamentos e até indicações de medicamentos.

Para Sidinéia, esse cenário pode abrir espaço para uma discussão sobre os limites da tecnologia na área da saúde e a importância do conhecimento especializado. “A IA pode ser uma ferramenta de apoio, mas não substitui o conhecimento de um profissional. O médico estudou para compreender o organismo, diagnosticar doenças e avaliar quando um tratamento deve ser iniciado ou interrompido”, explica.

Outro recorte é o impacto dos vícios em apostas on-line. O fenômeno ultrapassa a discussão financeira e pode ser relacionado à saúde mental, já que a dependência pode contribuir para quadros de ansiedade e depressão e, em um ciclo de perda de controle, levar ao endividamento. O tema permite discutir políticas públicas de prevenção e proteção à população diante do crescimento das apostas digitais.

A vacinação também pode aparecer como um possível recorte dentro do eixo da saúde, especialmente diante do retorno ou do risco de doenças que já estavam controladas e do avanço de movimentos de resistência à vacinação.


Para construir repertório:

  • Princípios do SUS: conhecer os conceitos de universalidade, equidade e integralidade pode ajudar o candidato a discutir o direito à saúde e o papel do Estado na garantia do atendimento à população;
  • Florestan Fernandes: os estudos do sociólogo brasileiro sobre desigualdades estruturais ajudam a compreender como as condições sociais e econômicas interferem no acesso à saúde e na qualidade de vida;
  • A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord: o conceito permite discutir uma sociedade mediada por imagens, aparências e consumo. A ideia pode ser relacionada à atuação de influenciadores digitais e à forma como a publicidade de apostas é apresentada ao público;
  • O Dilema das Redes: o documentário pode ajudar a discutir como as plataformas digitais são estruturadas para prender a atenção dos usuários e influenciar comportamentos e escolhas;
  • Políticas públicas de prevenção ao superendividamento: acompanhar as medidas adotadas pelo poder público para proteção dos consumidores pode ampliar o repertório sobre o tema;
  • Zygmunt Bauman: em Modernidade Líquida, o sociólogo discute características de uma sociedade marcada pelo individualismo e pela fragilidade dos vínculos coletivos. O conceito pode ser relacionado à dificuldade de pensar no bem comum em questões de saúde pública.

Tecnologia e cultura digital

A tecnologia digital já faz parte de praticamente todas as dimensões da vida cotidiana e, por isso, esse eixo permanece em evidência.

A expansão da inteligência artificial, por exemplo, abre diferentes possibilidades de abordagem para a redação. Além de benefícios como personalização da educação, produtividade e acesso à informação, o candidato deve estar atento aos riscos do uso inadequado, como a busca de diagnósticos e tratamentos sem a consulta com profissionais especializados.

Outro caminho possível é discutir a influência das plataformas digitais sobre comportamentos e decisões. O uso de algoritmos, a personalização dos conteúdos e a circulação acelerada de informações podem levar a debates sobre autonomia, privacidade, desinformação e formação de opinião. A cultura do cancelamento também pode aparecer nesse contexto.


Para construir repertório:

  • Pierre Lévy: o filósofo francês pesquisa as relações entre tecnologia, conhecimento e inteligência coletiva. Seus estudos ajudam a discutir a tecnologia como resultado da capacidade humana e seu potencial de contribuir para o desenvolvimento social;
  • 21 Lições para o Século 21, de Yuval Noah Harari: a obra discute as transformações provocadas pelo avanço tecnológico e os desafios que a inteligência artificial e a automação podem trazer para o futuro da sociedade;
  • Marco Civil da Internet: importante para compreender princípios, direitos e deveres referentes ao uso da internet no Brasil;
  • Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD): pode ser utilizada em discussões sobre privacidade, coleta e tratamento de informações pessoais;
  • Byung-Chul Han: em estudos sobre a sociedade da informação e a chamada “infocracia”, o filósofo sul-coreano discute como o excesso de informação e o processamento de dados podem influenciar a percepção da realidade.

Meio ambiente

O meio ambiente deve permanecer no radar dos candidatos, mas a atenção não deve se limitar às discussões sobre sustentabilidade e preservação. O Enem pode explorar cada vez mais os impactos sociais dos problemas ambientais, especialmente sobre populações em situação de vulnerabilidade.

“Um dos possíveis recortes é o racismo ambiental, conceito que evidencia como comunidades socialmente vulneráveis são, muitas vezes, as mais afetadas por problemas como enchentes, secas, falta de saneamento básico e outros impactos provocados ou agravados pela ação humana”, destaca a professora de redação.


Para construir repertório:

  • Retirantes, de Candido Portinari: a obra de 1944 retrata uma família em situação de extrema pobreza e pode ser relacionada aos impactos sociais provocados pela seca e pela desigualdade. O candidato pode utilizá-la para mostrar que a relação entre condições ambientais e vulnerabilidade social não é recente;
  • Vidas Secas, de Graciliano Ramos: o romance apresenta a trajetória de uma família sertaneja afetada pela seca e pela pobreza, permitindo discutir como condições ambientais podem aprofundar desigualdades e limitar oportunidades;
  • A Tragédia dos Comuns, de Garrett Hardin: a teoria ajuda a compreender como recursos compartilhados, como água, ar e florestas, podem ser degradados quando indivíduos ou grupos priorizam interesses particulares em detrimento do bem coletivo. O conceito pode ser relacionado à exploração predatória dos recursos naturais e à responsabilidade coletiva pela preservação ambiental;
  • Ailton Krenak: escritor, filósofo e ativista indígena, Krenak propõe uma reflexão crítica sobre a relação entre sociedade, natureza e modos de vida, sendo um repertório pertinente para discutir preservação ambiental, povos tradicionais e a necessidade de repensar a relação humana com o meio ambiente;
  • Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa: a obra pode contribuir para uma discussão sobre território, natureza e modos de vida, especialmente quando o tema permitir uma abordagem relacionada ao sertão e às populações que vivem em diferentes condições ambientais.

Respirar, treinar e priorizar

A pouco mais de três meses, ainda há tempo para aprimorar a preparação para a redação. “O principal caminho é transformar o período que antecede a prova em uma rotina saudável de treinamento”, destaca Sidinéia.

A orientação é produzir pelo menos duas redações por semana, mas não apenas escrever e seguir para a próxima. O processo precisa incluir correção, análise dos erros e reescrita. Ao identificar uma dificuldade, o estudante deve entender por que errou, buscar a teoria necessária e voltar ao texto para corrigir o problema.

Outro ponto importante é compreender exatamente o recorte proposto pela banca. Antes de escrever, o candidato deve identificar o assunto, o grupo envolvido e o problema que precisa ser discutido. Os textos motivadores também devem ser utilizados como pistas para compreender a abordagem esperada.

Mais do que tentar adivinhar o tema da redação, portanto, o que mais vai fazer a diferença é desenvolver a capacidade de entender a proposta, selecionar argumentos, mobilizar repertórios de forma produtiva e escrever de acordo com o que foi solicitado. Assim, mesmo que o tema escolhido pelo Inep seja diferente das apostas, o estudante estará preparado para enfrentá-lo.


Jornada Enem Bernoulli reforça preparação para a redação

Para apoiar os estudantes nessa etapa da preparação, o Bernoulli liberou a segunda fase da Jornada Enem Bernoulli, com aulas on-line e gratuitas voltadas à redação e ministradas por professores especialistas da instituição. A iniciativa faz parte de um percurso dividido em quatro etapas e, nesta fase, reforça o treinamento para a produção textual. Para complementar os estudos, a Pratica AI, ferramenta gratuita de inteligência artificial do Bernoulli, permite que o estudante envie suas redações para receber uma avaliação baseada nas cinco competências cobradas pelo Enem.

As iniciativas integram a Central Enem Bernoulli, plataforma gratuita que reúne aulas, conteúdos, notícias e ferramentas para apoiar os estudantes durante a preparação. Para acessar a Jornada, basta fazer o cadastro em Link.


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Postado por Maria Teresa, no dia 02/09/2026 - 09:24


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