Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Quando se trata de medicamentos, a presença de um farmacêutico aumenta a confiança na aquisição para 78% dos consumidores consultados.
Uma pesquisa do Instituto QualiBest mostra que 69% dos consumidores brasileiros têm receio de comprar medicamentos falsificados pela internet. O levantamento, encomendado pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), ouviu 2.024 pessoas responsáveis pela compra de medicamentos em casa e que realizam compras online pelo menos uma vez a cada três meses. Entre os entrevistados, 85% atribuem às plataformas digitais a responsabilidade pela oferta de medicamentos falsificados, sem registro ou de procedência desconhecida. Outros 59% demonstram preocupação com a possibilidade de receber produtos vencidos ou armazenados de forma inadequada, enquanto 54% temem adquirir medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 17 de julho, em todas as regiões do país. Para 82% dos consumidores consultados, a comercialização digital de medicamentos deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia ou drogaria autorizada. Além disso, 71% entendem que medicamentos não devem ser tratados como mercadorias comuns nas plataformas de comércio eletrônico. Em agosto, a Anvisa revogou medidas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em plataformas como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee. A decisão, porém, não representa uma autorização automática para a venda de remédios nesses canais.
A Lei nº 15.357/2026 permite que farmácias e drogarias regularmente licenciadas contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para atividades de logística e entrega de medicamentos, desde que sejam cumpridas as regras sanitárias. A aplicação da medida ainda depende de regulamentação específica da Anvisa. No dia 19 de agosto, a Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou, por unanimidade, a abertura de processo administrativo para regulamentar a contratação de plataformas digitais pelas farmácias. Segundo a agência, as novas normas deverão adequar as regras sanitárias à legislação vigente.
O Conselho Federal de Farmácia (CFF) também destacou que a mudança não significa uma liberação indiscriminada da venda de medicamentos pela internet. Após a regulamentação, as plataformas poderão ser utilizadas pelas farmácias em suas operações, mantendo a responsabilidade profissional e sanitária sobre os produtos. O Procon-RJ orienta que os consumidores tenham atenção a ofertas muito abaixo do preço de mercado, que podem representar um sinal de alerta. Também é recomendado guardar comprovantes de compra, nota fiscal e anúncios para facilitar uma eventual reclamação. Apesar dos receios relacionados aos medicamentos, o comércio eletrônico é amplamente utilizado no país. A pesquisa aponta que 95% dos entrevistados já fizeram compras pela internet e nove em cada dez costumam verificar a segurança do site antes de finalizar uma compra.
Quando se trata de medicamentos, a presença de um farmacêutico aumenta a confiança na aquisição para 78% dos consumidores consultados. O levantamento também mostra que 56% teriam dificuldade para saber a quem recorrer caso enfrentassem problemas com um medicamento comprado por plataformas digitais. A discussão sobre a venda online de medicamentos ocorre em meio à busca por novas formas de ampliar o acesso e agilizar a entrega de produtos de saúde, mas especialistas e órgãos de defesa do consumidor reforçam a necessidade de manter mecanismos de controle, rastreabilidade, armazenamento adequado e orientação profissional.
Fonte: Agência Brasil.
Tags: medicamentos pela internet; compra de medicamentos online; Anvisa; farmácias online; segurança na compra de remédios
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 23/08/2026 - 08:07