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Congonhense Cod’Preto representa o interior mineiro no Hip Hop Brasil Festival



Foto: Divulgação/ PMC


 

Mais de duas décadas dedicadas ao rap, à literatura e à formação cultural fizeram do arte-educador Washington Ricardo Martins, conhecido artisticamente como Cod’Preto, uma das principais vozes da cultura hip hop em Congonhas. O artista alcançou um importante marco em sua trajetória ao se tornar o único representante do interior de Minas Gerais a integrar a programação do Hip Hop Brasil Festival, um dos maiores eventos do gênero no país.

A participação no festival simbolizou uma conquista pessoal e também o reconhecimento da produção cultural desenvolvida fora dos grandes centros urbanos. Para Cod’Preto, subir ao palco representando Congonhas foi a oportunidade de mostrar que o interior mineiro também produz rap com identidade, qualidade e compromisso social.

“Eu sabia que não representava apenas a minha carreira, mas também a força do rap produzido no interior do estado. Foi uma oportunidade de mostrar para Belo Horizonte e para todo o Brasil que o interior de Minas Gerais também produz Hip Hop de qualidade, com identidade, talento e muita resistência”, afirma.

A trajetória do artista teve início em 2003, quando começou a escrever suas primeiras letras. Dois anos depois, formou o grupo Psicologia Urbana, iniciando sua caminhada nos palcos. Em 2005, também participou da criação da UCR e foi cofundador dos movimentos Som das Quadras (2005–2007) e Cultura Viva Hip Hop (2008–2013), iniciativas que contribuíram para fortalecer a cena hip hop em Congonhas, incentivar novos artistas e ampliar os espaços dedicados à cultura urbana.

O convite para participar do Hip Hop Brasil Festival surgiu após sua atuação no Encontro Estadual de Hip Hop, realizado em Contagem, onde representou Congonhas ao lado do grupo Sem Meia Verdade, de Belo Horizonte. A partir dessa participação, foi convidado pela produtora Discovery, liderada por Daher, integrante do Guind’Art 121, em parceria com a produtora NósPega&Faz, da capital mineira, da qual atualmente também integra a equipe.

No festival, Cod’Preto dividiu o palco com nomes consagrados do rap nacional e apresentou músicas do álbum “Quem Disse que Preto Não Pode?”, trabalho que está em fase de gravação e tem lançamento previsto para o último trimestre deste ano.

Segundo o artista, o projeto nasceu como uma resposta às barreiras impostas pelo racismo estrutural e pela desigualdade social. “‘Quem Disse que Preto Não Pode?’ nasceu da necessidade de compreender que as barreiras impostas ao povo preto e periférico são estruturais, mas que elas não podem definir nossos destinos. É uma resposta aos inúmeros ‘nãos’ produzidos pelo racismo e pela desigualdade, afirmando que nossa existência, resistência e organização coletiva também constroem novos caminhos.”

As composições abordam temas como identidade, ancestralidade e resistência, além da valorização da cultura negra. O artista explica que a inspiração vem das experiências vividas e das histórias compartilhadas por pessoas que enfrentam diariamente os impactos do racismo e das desigualdades sociais.

“Escrevo sobre o que vivi e sobre o que vejo ao meu redor, porque só quem está na pele sabe. Também busco incentivar o letramento racial e mostrar que conhecer nossa história fortalece a identidade, a autoestima e a consciência coletiva.”

A apresentação foi apontada por artistas e pelo público como uma das revelações do festival. O reconhecimento, segundo ele, representa mais do que uma conquista individual.

“Fiquei muito feliz, mas recebo esse reconhecimento com humildade. Entendo que não é apenas sobre mim, mas sobre tudo o que o rap do interior de Minas Gerais tem construído. Espero que esse momento também abra portas para outros artistas.”

Além da música, Cod’Preto desenvolve um trabalho voltado à literatura. Poeta e escritor, ele considera a escrita parte essencial de sua produção artística.

“Sempre amei a literatura. Escrever, poetizar e compor são formas de terapia. A música reúne minhas experiências, minha poesia e minha visão de mundo para dialogar com as pessoas.”

Além da conclusão do álbum “Quem Disse que Preto Não Pode?”, o artista trabalha na revisão do livro “Cicatrizes de um Amanhã”, com lançamento previsto para 2027. A obra será publicada em português e também em uma edição traduzida para o inglês, resultado de uma parceria com a mestre em Linguística Inglesa Weronika Kubik, de Varsóvia, na Polônia.

Para Cod’Preto, música e literatura seguem sendo instrumentos de transformação social. Seu objetivo é ampliar o alcance dessas mensagens e continuar levando o nome de Congonhas para novos espaços da cultura brasileira.

Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas

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Postado por Maria Teresa, no dia 08/08/2026 - 13:33


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