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Com a proximidade das eleições de 2026, cresce a circulação de conteúdos manipulados por inteligência artificial no Brasil e também a preocupação com o uso dessa tecnologia avançada no país. A pesquisa Super Panorama Mobile Time/Opinion Box mostra que 70,2% dos internautas já acreditaram em vídeos falsos, evidenciando a vulnerabilidade diante de peças hiper-realistas. Dados do estudo também indicam que apenas 18,7% dos usuários conseguem identificar deepfakes imediatamente, enquanto 72,1% percebem inconsistências apenas em algumas situações.
O ambiente digital também registra expansão acelerada da desinformação, com aumento de 308% entre 2024 e 2025, segundo o Panorama da Desinformação no Brasil, do Observatório Lupa. A capacidade de reconhecer esse material ainda apresenta muitas limitações. O levantamento aponta que cerca de 45% dessas produções apresentam viés ideológico, reforçando o impacto direto no cenário político e aumentando os riscos de decisões baseadas em distorções durante o processo de escolha do eleitorado. “Quando a manipulação envolve figuras públicas, o efeito é mais intenso, porque o conteúdo ganha credibilidade e espalha-se, afirma Camila Renaux, especialista em Marketing e Inteligência Artificial.
Deepfakes, cada vez mais sofisticadas no mercado, desafiam a confiança da população ao simular falas e ações de figuras públicas com alto grau de realismo. Paralelamente, a chamada bolha algorítmica reforça vieses e limita o acesso a visões diversas, ampliando o impacto da desinformação eleitoral. A partir deste cenário, Camila explica a importância de educar o eleitor sobre verificação de informação e consumo crítico de mídia. "Nas eleições de 2026, o desafio não será apenas identificar notícias falsas, mas reconhecer conteúdos muito reais e que foram produzidos por inteligência artificial avançada. Antes, era possível perceber erros mais evidentes. Agora, o material é altamente convincente o suficiente para enganar mesmo usuários atentos”, completa.
A seguir, a profissional dá algumas dicas para ajudar a identificar conteúdos que podem não ser reais.
Reação emocional: Conteúdos enganosos costumam explorar emoções intensas como indignação, medo, choque ou surpresa com objetivo de estimular compartilhamento acelerado. Esse é um primeiro sinal de alerta. “Se um vídeo desperta reação forte e uma vontade imediata de compartilhar, esse é justamente o momento de parar e verificar”, reforça. A pausa antes da disseminação reduz a velocidade com que desinformação se espalha pelo ambiente digital e contribui para ambiente mais equilibrado. A chamada regra dos 30 segundos sugere interromper o impulso, ler com atenção e buscar confirmação oficial antes de qualquer envio. Essa postura fortalece responsabilidade coletiva no ambiente digital.
Origem do conteúdo: A checagem da procedência representa etapa fundamental diante de material sensível. Identificar autoria, conferir autenticidade de perfis e observar se veículos reconhecidos divulgaram a mesma informação são medidas básicas de validação. Grande parte das manipulações ganha força em grupos fechados de aplicativos ou contas sem histórico confiável, dificultando rastreamento e favorecendo alcance orgânico sem verificação. Por isso, antes de compartilhar, faça algumas perguntas: Quem publicou o conteúdo? O perfil é oficial? De quando é a publicação? A informação apareceu em veículos de imprensa confiáveis?
Sinais visuais: Mesmo com avanços tecnológicos, inconsistências técnicas ainda surgem em produções fraudulentas. Movimentos artificiais da boca, expressões pouco naturais, piscadas irregulares, desalinhamento entre áudio e imagem e incoerência de luz ou sombra aparecem como indícios.
Circulação limitada: Outro aspecto bastante relevante envolve a distribuição do conteúdo. Suposto escândalo com potencial impacto eleitoral dificilmente permanece restrito a uma única publicação. A ausência de repercussão em canais jornalísticos ou plataformas de checagem indica necessidade de cautela. Segundo Camila, “se um conteúdo tem potencial para impactar uma eleição, provavelmente também estará sendo verificado por jornalistas, agências de checagem e veículos de comunicação”.
O consumo concentrado em redes sociais favorece a formação de bolhas informativas, nas quais usuários recebem conteúdos alinhados a preferências anteriores. Esse mecanismo limita o contato com visões divergentes e amplia percepção distorcida da realidade. A orientação inclui diversificar fontes, acompanhar veículos diferentes, consultar canais oficiais e ir além de manchetes superficiais, ampliando repertório crítico e compreensão do cenário político atual.
As próprias plataformas permitem ações diretas que reduzem alcance de conteúdo enganoso. Por isso, use o algoritmo a seu favor: marque conteúdos enganosos como "Não tenho interesse"; pare de interagir com publicações totalmente falsas e não compartilhe conteúdos apenas para criticá-los. “Essas são dicas de ouro. As interações impulsionam o engajamento que ajuda os algoritmos a ampliarem a distribuição daquele material falso, explica a especialista.
A legislação brasileira já estabelece parâmetros para utilização de tecnologia em campanhas. Nas eleições de 2026, conteúdos produzidos ou significativamente alterados por inteligência artificial deverão ser identificados de forma clara, conforme normas do TSE. A medida busca ampliar transparência na comunicação política nacional e oferecer mais segurança ao eleitor diante de materiais manipulados.
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Postado por Maria Teresa, no dia 01/08/2026 - 08:24