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A mãe de Allan Henrique de 20 anos, Marli Santos, ainda tem esperança de encontrar o filho
O desaparecimento de uma pessoa transforma completamente a rotina de uma família. A partir daquele momento, surgem a espera, a busca por informações e a esperança de um reencontro. Apesar da redução nos registros em 2026, os casos continuam mobilizando autoridades e gerando preocupação em Lafaiete, Congonhas e Ouro Branco.
Levantamento do Sistema de Informações de Segurança Pública (Sisp), referente ao período de janeiro a julho de 2026, aponta que os três municípios somaram 55 comunicações de desaparecimento. Lafaiete lidera o ranking regional, com 26 registros, seguida por Congonhas, com 15, e Ouro Branco, com 14.
No mesmo período, 33 pessoas foram localizadas: 15 em Conselheiro Lafaiete, 10 em Congonhas e 8 em Ouro Branco.
Lafaiete concentra maior número de ocorrências
Lafaiete permanece como o município com maior número de desaparecimentos na região. Entre janeiro e julho deste ano, foram contabilizadas 26 ocorrências, com taxa de 18,71 casos por 100 mil habitantes.
Em 2025, o município registrou 71 comunicações, o maior número da série histórica recente, com taxa de 51,10. Nos anos anteriores, foram registrados 40 casos em 2020, 40 em 2021, 46 em 2022, 34 em 2023 e 31 em 2024.
Quanto às localizações, 15 pessoas foram encontradas até julho deste ano. O melhor resultado da série ocorreu em 2023, quando 41 desaparecidos foram localizados. Em 2025, foram 34 casos.
Congonhas
Em Congonhas, o levantamento aponta 15 desaparecimentos nos sete primeiros meses de 2026, com taxa de 27,14 casos por 100 mil habitantes.
O maior número da série histórica foi registrado em 2023, quando ocorreram 34 comunicações, com taxa de 64,28 por 100 mil habitantes. No ano passado, foram contabilizados 24 registros.
Até julho deste ano, 10 pessoas foram localizadas no município, mesmo número registrado durante todo o ano de 2025. O melhor desempenho ocorreu em 2021 e 2023, quando 15 pessoas foram encontradas em cada período.
Ouro Branco
Em Ouro Branco, os dados parciais apontam 14 desaparecimentos entre janeiro e julho de 2026, com taxa de 34,45 casos por 100 mil habitantes.
O maior volume de registros ocorreu em 2023, quando foram contabilizadas 18 ocorrências. Em 2025, o município registrou 16 casos.
Em relação às localizações, oito pessoas foram encontradas até julho deste ano. Em 2025, foram sete. O maior número da série foi registrado em 2023, com nove desaparecidos localizados.
Dor que não termina
Por trás dos números estão histórias de famílias que convivem diariamente com a ausência e a incerteza. Uma delas é a de Allan Henrique dos Santos Cruz, de 20 anos, desaparecido desde a noite de 24 de março de 2026, no bairro São João, em Conselheiro Lafaiete.
A irmã dele, Priscila Cristina dos Santos Cruz, conta que a vida da família foi dividida em duas partes: antes e depois do desaparecimento.
“Foi o dia que dividiu a nossa vida em antes e depois. A partir daquele momento, nossa família passou a viver uma dor que ninguém imagina sentir. Começou uma busca incansável, cheia de medo, preocupação e esperança”, relata.
Segundo ela, Allan era uma presença constante nos momentos em família. “Ele fazia parte dos nossos dias, das nossas conversas e das nossas alegrias. Adorava sair e participar das comemorações. Tinha um coração enorme e é uma pessoa muito especial para todos nós.”
Priscila afirma que a esperança pelo retorno do irmão permanece, mesmo diante da falta de informações: “Nós acreditamos todos os dias que o Allan vai voltar. O amor que sentimos por ele mantém essa esperança viva. O mais difícil é acordar todos os dias sem respostas, sem saber onde ele está, como ele está e se ele precisa da nossa ajuda.”
Para a família, a saudade se mistura à angústia da incerteza: “A saudade machuca muito, porque sentimos falta da presença dele, da voz, do sorriso e dos momentos juntos. Mas a maior dor é não saber o que aconteceu.”
Ela destaca que fotos e lembranças ajudam a manter Allan presente: “Mesmo a distância, ele continua presente por meio do amor e das memórias que deixou.”
A irmã reforça o pedido por informações que possam contribuir para a localização do jovem: “Allan não é apenas um nome. Ele é uma pessoa, um filho, um irmão, alguém que é amado. Enquanto existir esperança, nós vamos continuar procurando por ele.”
Crianças e adolescentes exigem atenção
O cenário nacional também chama atenção. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) mostram que 28% dos registros de desaparecimento realizados no Brasil em 2025 envolveram crianças e adolescentes. Entre esse público, 62% dos casos referem-se a meninas.
Especialistas destacam que os desaparecimentos podem ocorrer em diferentes circunstâncias, incluindo situações voluntárias, involuntárias, forçadas ou motivadas pela necessidade de proteção diante de episódios de violência.
Registro deve ser imediato
A Polícia Civil orienta que o desaparecimento seja comunicado assim que for percebida a interrupção da rotina da pessoa, sem necessidade de aguardar 24 horas.
O registro pode ser feito em qualquer delegacia da Polícia Civil, unidade da Polícia Militar ou por meio da Delegacia Virtual. A Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD) mantém um banco público de cartazes de desaparecidos, e informações que possam auxiliar na localização podem ser repassadas pelo telefone: 0800 2828-197.
DESAPARECIMENTOS
(janeiro a julho de 2026)
l Conselheiro Lafaiete: 26
l Congonhas: 15
l Ouro Branco: 14
PESSOAS LOCALIZADAS
l Conselheiro Lafaiete: 15
l Congonhas: 10
l Ouro Branco: 8
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Postado por Rafaela Melo, no dia 25/07/2026 - 11:42