Foto: Rafaela Melo
Cemitério Parque Vale do Ipê
A gestão dos cemitérios de Lafaiete tem exigido atenção constante diante da ocupação crescente das áreas disponíveis e da necessidade de manter a infraestrutura em condições adequadas. Informações fornecidas pelo Cemitério Paroquial Nossa Senhora da Conceição e pelo Parque Vale do Ipê mostram que, atualmente, não há projetos voltados à criação de novos espaços destinados a sepultamentos. No Vale do Ipê, administrado pelo município, existem cerca de 2.050 sepulturas convencionais. De acordo com o secretário municipal de Administração, Matheus Gonçalves Godoy Granha Borba, entre 2020 e 2025 foram contabilizados, em média, aproximadamente 150 procedimentos anuais, entre enterros, exumações e traslados. Em 2026, até o dia 15/06, ocorreram 46 sepultamentos, além de um traslado interno e outro para unidade externa. Já o Nossa Senhora da Conceição reúne cerca de 4.200 jazigos. Conforme informou o advogado Fabio Toledo, a área existente não comporta novas construções, tornando indispensável um controle rigoroso da ocupação. Atualmente, são realizados aproximadamente 450 enterros por ano.
Exumação
As regras para exumação variam conforme a unidade. No cemitério municipal, a retirada dos restos mortais pode ocorrer após cinco anos do sepultamento, desde que haja solicitação do responsável pela concessão. O procedimento permite tanto a transferência dentro do próprio complexo quanto o encaminhamento para outro destino. No cemitério paroquial, o prazo mínimo é de três anos. Em situações envolvendo doenças infectocontagiosas, como a Covid-19, a remoção somente é autorizada após cinco anos, em conformidade com os protocolos sanitários.
Acondicionamento dos restos mortais
O Vale do Ipê não dispõe de ossário coletivo ou individual. Nesses casos, os restos permanecem nos próprios túmulos e, quando necessário, passam por reorganização para possibilitar o reaproveitamento da gaveta, utilizando recipientes apropriados. Na unidade paroquial, os materiais exumados permanecem vinculados ao jazigo familiar. Cada estrutura possui compartimento destinado à guarda desses restos, preservando a identificação de origem. O local também conta com um ossário provisório formado por gavetas individuais identificadas por quadra e número da sepultura, utilizado temporariamente durante obras ou intervenções.
Débitos exigem providências dos responsáveis
A questão financeira é tratada de forma distinta pelas duas instituições. No Parque Vale do Ipê, pendências não impedem novos sepultamentos. Os familiares recebem orientações sobre eventuais débitos junto à dívida ativa municipal. Quando o titular da concessão é falecido, torna-se necessária a atualização da titularidade. No Cemitério Nossa Senhora da Conceição, a falta de pagamento por período superior a três anos pode resultar na abertura de processo administrativo para reversão do jazigo ao patrimônio da instituição. Antes dessa medida, são encaminhadas notificações com Aviso de Recebimento (AR). Caso não haja manifestação dos responsáveis, são publicados editais em celebrações religiosas, veículos de comunicação locais e murais informativos.
Setor social sem possibilidade de reutilização
Segundo a prefeitura, a área destinada ao atendimento de famílias sem condições de adquirir uma sepultura convencional foi criada para garantir assistência social. Entretanto, como não existe ossário para remanejamento dos restos mortais, os espaços utilizados entre 2015 e 2018 permanecem impossibilitados de receber novos sepultamentos. A administração paroquial informou que não possui setor específico destinado a pessoas em condição de indigência.
Expansão não está nos planos
Tanto o município quanto a instituição religiosa afirmam que não existem estudos ou propostas em andamento para ampliação das áreas funerárias.
Entre as dificuldades apontadas pela prefeitura estão a manutenção das instalações, o cercamento das áreas, a organização interna e o número reduzido de trabalhadores para atividades de limpeza e conservação. Segundo a administração municipal, convênios e parcerias têm auxiliado no enfrentamento dessas demandas. No cemitério paroquial, as principais preocupações envolvem a escassez de vagas, a preservação das estruturas, a atualização cadastral dos responsáveis e a regularização de jazigos com pendências administrativas ou financeiras. Mesmo diante das limitações, os responsáveis afirmam que seguem adotando medidas para assegurar a continuidade dos serviços e o atendimento adequado às famílias de Conselheiro Lafaiete.
O Jornal CORREIO tentou contato com o cemitério Jardim do Eden, mas não obteve resposta.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 05/07/2026 - 13:20