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Comunidade


Após 16 anos, moradores voltam a cobrar fim do ‘fedozão’ da ETE Bananeiras

De acordo com informações da Copasa, está previsto investimento de mais de R$ 36 milhões na estação de tratamento para adequação às normas ambientais vigentes



Foto: Rafaela Melo


Enquanto aguardam novos desdobramentos, moradores afirmam que seguem mobilizados

O “fedozão” da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Bananeiras voltou a ser motivo de mobilização dos moradores. O problema teve início com a entrada em operação da unidade, em 2010, no bairro Satélite, e segue gerando constantes reclamações da comunidade. Há 16 anos, os moradores afirmam conviver com uma realidade que, segundo eles, compromete a qualidade de vida e a rotina no bairro.
“Há mais de 16 anos convivemos com esse problema. O que a população quer não é promessa, é uma solução definitiva”, afirma o morador Fabiano Matos, que vive na região há cerca de quatro décadas. Ele relata que, em períodos mais intensos, especialmente à noite, o cheiro obriga famílias a manter portas e janelas fechadas. “Muitas vezes somos obrigados a fechar portas e janelas dentro de casa por causa do cheiro”, reforça.
Segundo Fabiano, a comunidade já buscou diferentes encaminhamentos ao longo dos anos, mas o problema persiste.
Recentemente, o tema voltou a ser acompanhado pelo Ministério Público, que instaurou investigação e solicitou perícia na estação. Uma reunião com o promotor responsável está prevista para o dia 6 de julho. O assunto também foi discutido em audiência pública na Câmara Municipal, realizada em maio.Fabiano destaca que uma das intervenções realizadas ao longo dos anos foi o plantio de eucaliptos no entorno da unidade. “O plantio de eucaliptos não resolveu a situação. O odor continua fazendo parte da nossa rotina”, diz.

Comércio fechado
Os impactos, segundo os moradores, ultrapassam o desconforto diário. Nayara Geórgia relata que a família precisou encerrar um restaurante após a instalação da estação. “Perdemos um restaurante que sustentava nossa família porque os clientes deixaram de frequentar o local”, afirma.
Ela também aponta reflexos no ambiente escolar. “As crianças do bairro sofrem constrangimentos e são alvo de piadas por causa do mau cheiro”, relata, ao destacar que estudantes da região acabam expostos a situações constrangedoras em atividades com outras escolas.

Estigma social e isolamento
O morador Mulller Dias Lopes, nascido e criado no bairro Satélite, afirma que a situação gerou um estigma constante. “Perdemos até a liberdade de convidar amigos para nossa casa com receio de passar por constrangimento”, diz.
Segundo ele, o problema acompanha os moradores em diferentes ambientes. “O estigma do mau cheiro acompanha os moradores em vários ambientes, inclusive no trabalho”, acrescenta. Ele também afirma que localidades vizinhas podem ser afetadas conforme a direção dos ventos.

Saúde e preocupações constantes
A comunidade relata ainda impactos na saúde, especialmente entre crianças e pessoas com doenças respiratórias. Nayara afirma que um dos filhos convive com asma, bronquite, rinite e sinusite, e acredita que o odor agrava o quadro. “É triste ver nossos filhos crescerem convivendo com uma situação que parece não ter fim”, desabafa.
Ronaldo Araújo também relata problemas enfrentados pela esposa após a implantação da estação. “Além do desconforto diário, minha família enfrentou problemas de saúde que acreditamos estar relacionados à situação”, afirma.

Desvalorização imobiliária e cobrança 
Outro ponto de insatisfação é a cobrança da tarifa de esgoto. Para os moradores, pagar pelo serviço en­quanto convivem com os impactos aumenta a sensação de injustiça.
O aposentado José Jerônimo da Cunha, morador da região há cerca de 40 anos, afirma que houve desvalorização dos imóveis. “O bairro era tranquilo. Hoje vemos imóveis desvalorizados e pessoas querendo ir embora”, relata. Apesar disso, diz manter esperança de solução.

Investimento e cronograma
De acordo com informações da Copasa, está previsto investimento de R$ 36.816.514,00 (trinta e seis milhões, oitocentos e dezesseis mil, quinhentos e quatorze reais) na ETE Bananeiras, para adequação às normas ambientais vigentes. O cronograma prevê início das obras em agosto de 2028 e conclusão em março de 2030. O projeto contempla intervenções no tratamento preliminar, reatores UASB e ajustes no sistema de pós-tratamento para atendimento de parâmetros ambientais.

Posicionamento da Copasa
Em nota, a companhia informa que acompanha as manifestações da população e utiliza as observações para aprimoramento dos serviços. Afirma que a ETE opera dentro dos padrões ambientais e de saúde pública.
A empresa destaca que a estação trabalha com vazão média de 60 litros por segundo, abaixo da capacidade nominal de 70 litros por segundo, sem registros de sobrecarga ou falhas operacionais.
A Copasa reconhece que o processo de tratamento pode gerar odores em determinadas etapas, mas afirma que não há risco à saúde e que os gases são monitorados continuamente. Informa ainda que a unidade possui sistema de biofiltro e cortina arbórea com manutenção regular.A estação está regularizada por meio da Licença Ambiental Simplificada (LAS/RAS) nº 016/2022, válida até 20 de outubro de 2032.

Mobilização continua
Enquanto aguardam novos desdobramentos, moradores afirmam que seguem mobilizados. Além da investigação em andamento, a comunidade pretende levar o caso a outras instâncias, incluindo a Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
“Não queremos privilégios. Queremos apenas viver com dignidade e qualidade de vida”, resume Nayara Geórgia. A principal reivindicação é uma solução definitiva para recuperar a qualidade de vida perdida ao longo dos últimos 16 anos e devolver tranquilidade às famílias da região.

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Postado por Rafaela Melo, no dia 04/07/2026 - 12:20


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