Foto: Arquivo Jornal CORREIO
Todos os dias, inúmeras vidas são preservadas graças à doação de sangue. Para garantir o atendimento de pacientes que dependem de transfusões, os hemocentros precisam manter seus estoques abastecidos de forma contínua. Nesse contexto, campanhas como o Junho Vermelho desempenham papel fundamental ao incentivar a população a praticar esse gesto de solidariedade.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que apenas 16 a cada mil pessoas, com idade entre 16 e 69 anos, realizam doações voluntárias de sangue. O índice corresponde a 1,6% da população apta, abaixo dos 2% considerados ideais pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
A médica especialista em hematologia e hemoterapia, Ana Flávia Dias, destacou a importância da mobilização, especialmente neste período do ano."Dia 14 é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue. Como profissional especialista em doenças sanguíneas, quero reforçar a importância do Junho Vermelho. A campanha tem a intenção de conscientizar sobre a relevância da doação e estimular as pessoas justamente nesta época, quando os estoques dos hemocentros ficam críticos devido ao aumento das doenças infecciosas e respiratórias comuns no inverno", explica.
Segundo a hematologista, a modalidade mais conhecida é a doação de sangue total."Nesse procedimento são retirados de 410 a 450 ml de sangue, em um processo que dura, em média, de cinco a dez minutos. Posteriormente, essa bolsa passa por várias etapas de processamento e separação dos componentes, resultando em quatro bolsas de células sanguíneas. Ou seja, um único doador tem o poder de salvar até quatro vidas", ressalta a especialista.Ana Flávia explica que também existem modalidades voltadas para a coleta de componentes específicos, como hemácias, leucócitos, plaquetas e plasma.Nesses casos, é utilizada uma máquina chamada aférese.
"O sangue do doador é captado e o equipamento separa apenas o componente desejado, como as plaquetas. O restante retorna ao organismo pelo mesmo acesso venoso", detalha.Esse tipo de doação possui critérios diferenciados, dura cerca de uma hora e meia — dependendo do peso do voluntário — e pode ser realizado com maior frequência.
Quem pode doar
Ter peso acima de 50 kg para doação de sangue total e acima de 60 kg para doação por aférese;
Ter entre 18 anos e 60 anos, 11 meses e 29 dias;
Jovens de 16 e 17 anos podem doar mediante autorização assinada pelo responsável, disponível no site do hemocentro onde será realizada a coleta;
Pessoas entre 61 anos e 61 anos, 11 meses e 29 dias podem doar caso já sejam doadoras de repetição ou tenham realizado ao menos uma doação antes dos 60 anos;
Estar em boas condições de saúde, sem sintomas de doenças e ter dormido bem na noite anterior;
Fazer uma refeição leve antes da doação;
Medicamentos em uso, procedimentos estéticos e cirurgias devem ser avaliados individualmente pelo hemocentro;
Não ter tido hepatite após os 11 anos de idade;
Não apresentar histórico de situações de risco para doenças sexualmente transmissíveis;
Não ter consumido bebida alcoólica nas últimas 12 horas e não utilizar drogas;
Não apresentar ferimentos ainda não cicatrizados;
Não estar grávida ou em período de amamentação;
Após parto normal, aguardar três meses para doar; após cesariana, o intervalo é de seis meses;
Não ter realizado procedimentos de endoscopia nos últimos seis meses;
Tratamentos dentários podem impedir a doação por períodos que variam de um a 30 dias, conforme avaliação na triagem;
Menstruação e uso de anticoncepcionais não impedem a doação.
Intervalo entre as doações
Homens: podem doar sangue total a cada dois meses;
Mulheres: podem realizar a doação de sangue total a cada três meses.
"Compareça a um hemocentro e seja um doador de sangue. Uma atitude tão simples pode salvar vidas", reforça Ana Flávia.
Onde doar
Em Conselheiro Lafaiete, a doação pode ser realizada no Posto de Coleta de Sangue "Dr. Nilson Albuquerque" (PACE). A unidade está localizada na Rua Higino Sebastião da Cunha, nº 135, no bairro Parque Bandeirantes.Os agendamentos podem ser feitos de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. As coletas acontecem às quartas-feiras. Informações e marcações pelo telefone (31) 99239-1251.
Em Congonhas, o projeto "Sangue Nosso, Mais Vida", idealizado em 2019 pela enfermeira Jane Maria, tornou-se referência em solidariedade e compromisso com a vida.A iniciativa ganhou visibilidade durante a pandemia, quando diversos voluntários da cidade e da região aderiram à causa. Mesmo após o período mais crítico da crise sanitária, o trabalho continuou e segue em expansão.
Aos sábados, grupos de doadores são transportados gratuitamente até os postos de coleta e centros de cadastro para doação de medula óssea. Os participantes recebem lanche durante o trajeto de ida e volta, e todo o processo é realizado com acolhimento e orientação.A mobilização de novos voluntários é feita por Jane por meio das redes sociais, distribuição de panfletos e palestras em empresas, igrejas e hospitais. O objetivo é conscientizar a população sobre a necessidade da doação contínua, e não apenas em períodos de emergência.
Atualmente, o projeto reúne participantes com idades entre 16 e 69 anos, faixa etária permitida por lei. "O sangue é um remédio. Não existe substituto, não se fabrica e depende da solidariedade de cada um de nós", costuma destacar Jane Maria em suas ações de conscientização.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 14/06/2026 - 07:42