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Comunidade


A dor que fica: família clama por justiça após morte de lavrador na BR-040

Série do Maio Amarelo expõe dor da família e cobra responsabilidade no trânsito



Foto: Edmilson Dutra


A jornalista Rafaela Melo recebeu, no estúdio do Jornal CORREIO, as irmãs Fabiana Cristina e Regiane de Souza

No 1º episódio da série especial, dedicada ao Maio Amarelo, irmãs de Jhonny Marques transformam o luto em alerta e denunciam imprudência que destruiu uma família

O CORREIO Entrevista iniciou uma série especial dedicada ao Maio Amarelo, campanha nacional de conscientização para a redução de acidentes de trânsito. Criada em 2014, a mobilização busca alertar a sociedade sobre atitudes que salvam vidas - e, principalmente, sobre escolhas que podem tirá-las em segundos.

Entre os principais riscos estão dirigir sob efeito de álcool, excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas e o uso do celular ao volante. Mais do que fiscalizar, a campanha aposta na educação, levando informações a escolas, empresas e instituições. Mas, por trás dos números, existem histórias. E algumas delas nunca têm fim.

No primeiro episódio da série, a jornalista Rafaela Melo recebeu, no estúdio do Jornal CORREIO, as irmãs Fabiana Cristina Marques Avelino e Regiane Marques de Souza. Em comum, elas carregam uma dor que não encontra descanso: a perda do irmão Jhonny Marques, de 41 anos, morto em um acidente na BR-040, em dezembro de 2025. “É um desespero, uma dor sem fim que as pessoas não têm noção. Se tivessem, dirigiriam com mais responsabilidade”, disseram. “O que aconteceu não foi só um acidente. Foi falta de responsabilidade.”

Uma vida interrompida
Jhonny era lavrador, pai de duas filhas — uma adolescente de 16 anos e uma criança de 4 — e o único filho homem de uma mãe de 71 anos. Trabalhador, saía de madrugada todos os dias para buscar hortaliças em Caranaíba e vender em Conselheiro Lafaiete. No dia do acidente, seguia a mesma rotina.

Segundo os familiares, ele foi atingido por um carro que teria cruzado a rodovia na contramão, entre Cristiano Otoni e Lafaiete, logo após sair do local onde havia parado para abastecer. “Minha mãe perdeu o único filho homem. Minhas sobrinhas perderam o pai. A gente perdeu muito mais do que um irmão. Perdemos um ser humano maravilhoso”, relataram. A dor não atinge apenas quem entende a perda. Ela também se revela nos pequenos gestos de quem ainda não sabe explicar o vazio. Uma das sobrinhas não conseguiu concluir atividades na escola por causa da saudade do tio. Outra criança pede para ver fotos dele no celular. A ausência se tornou presença constante.

Silêncio que machuca
Além do luto, a família enfrenta outro peso: a falta de respostas. O inquérito foi encaminhado para Carandaí, mas, até agora, não houve retorno. “A gente não recebeu nenhuma informação. É um silêncio total. É uma sensação de impunidade.”

Sem condições financeiras de contratar advogado, os familiares buscaram a Defensoria Pública, mas seguem aguardando. Enquanto isso, a vida parece ter parado no dia do acidente. Outro ponto que revolta a família é a falta de mudanças no trecho onde tudo aconteceu. Segundo eles, a imprudência continua. “Tudo continua do mesmo jeito. A imprudência continua acontecendo.”

O risco permanece. E o medo também. Mesmo diante da dor, uma das irmãs afirma que carrega o perdão. Mas isso não apaga a necessidade de justiça. “Eu perdoo, mas quero justiça. A de Deus pode até demorar, mas vai acontecer, e quanto a justiça dos homens, essa não sei te dizer.”

A família também revela que nunca recebeu sequer um pedido de desculpas. No mês em que o país volta os olhos para a segurança no trânsito, o pedido da família é simples e urgente: “Não escolha o caminho mais curto. A pressa pode gerar dor para uma família inteira (no caso, a do outro motorista envolvido). Não se destrói só uma vida. Destrói uma família inteira.”

Relembre o caso
O grave acidente na BR-040 que vitimou Jhonny ocorreu na manhã do dia 29 de dezembro de 2025. Um carro de passeio colidiu com a motocicleta da vítima no km 645,85. A ocorrência foi registrada por volta das 4h10. Equipes da EPR Via Mineira atuaram com viatura de inspeção, ambulância e guincho. A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Científica também estiveram no local. Apesar do atendimento, a vítima morreu ainda no local.

A série especial do CORREIO Entrevista continua nas próximas edições, trazendo novos relatos e ampliando o debate sobre o assunto.




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Postado por Maria Teresa, no dia 16/05/2026 - 20:00


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