Foto: Divulgação
Durante o outono, as mudanças no clima e na rotina favorecem o aumento de problemas respiratórios e de alergias oculares — um quadro comum, mas muitas vezes negligenciado. A diminuição da umidade do ar, somada à maior presença de poeira, ácaros e poluentes, cria um cenário propício para o surgimento ou agravamento dos sintomas, principalmente em pessoas mais sensíveis.
“O ar mais seco e a maior concentração de partículas irritantes no ambiente favorecem crises alérgicas. Além disso, há uma tendência maior de permanência em ambientes fechados, o que intensifica a exposição a esses agentes”, explica o oftalmologista Dr. Lucas Assis Costa, especialista em Retina e Vítreo do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte.
Entre as condições mais comuns nesta época estão a conjuntivite alérgica sazonal, ligada a fatores ambientais específicos, e a forma perene, geralmente associada à poeira doméstica. Em casos mais raros, pode ocorrer a ceratoconjuntivite vernal, que afeta principalmente crianças e jovens e exige acompanhamento especializado. “São quadros que variam em intensidade, mas todos impactam diretamente a qualidade de vida do paciente”, afirma o especialista.
Os sintomas costumam ser característicos, incluindo coceira intensa, vermelhidão, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos, ardor e inchaço nas pálpebras. Mesmo assim, muitas pessoas ainda confundem alergias com infecções oculares. “Na alergia, a coceira é predominante e geralmente atinge os dois olhos, sem presença de secreção purulenta. Ainda assim, a avaliação oftalmológica é fundamental para o diagnóstico correto”, destaca.
As condições ambientais têm papel importante no agravamento dos sintomas. A baixa umidade compromete a lubrificação natural dos olhos, tornando-os mais vulneráveis à irritação. Ao mesmo tempo, o aumento de poeira e ácaros intensifica o contato com agentes que desencadeiam reações alérgicas. Esse cenário afeta diferentes faixas etárias de forma distinta. “Crianças costumam ter um sistema imunológico mais reativo, enquanto idosos frequentemente apresentam olho seco, o que favorece o surgimento de desconfortos oculares”, explica.
Um hábito comum, porém prejudicial, é coçar os olhos. Além de não trazer alívio efetivo, essa prática pode piorar o quadro. “Coçar aumenta a inflamação, intensifica a coceira e pode provocar lesões na córnea. Em casos prolongados, há até risco de desenvolvimento de doenças como o ceratocone”, alerta.
A prevenção envolve medidas simples, como manter os ambientes limpos e bem ventilados, evitar o acúmulo de poeira, higienizar mãos e rosto ao chegar da rua e utilizar colírios lubrificantes quando recomendados. Ficar atento aos sinais também é essencial para evitar complicações. “Quando os sintomas são intensos, persistentes, recorrentes ou acompanhados de dor, secreção ou piora da visão, é fundamental procurar um especialista”, orienta.
O tratamento varia conforme a gravidade de cada caso, mas, em geral, inclui o uso de colírios antialérgicos, como anti-histamínicos e estabilizadores de mastócitos, além de lubrificantes oculares. Em situações mais graves, pode ser necessário o uso de corticoides, sempre com prescrição e acompanhamento médico. “Controlar os fatores desencadeantes é essencial para garantir mais conforto e qualidade de vida ao paciente”, conclui o Dr. Lucas Assis Costa.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 27/04/2026 - 14:20