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Opinião


Editorial: Olho Vivo, a segurança que nunca chega a Lafaiete

Falta de continuidade mantém videomonitoramento como promessa em Lafaiete



Foto: Arquivo Jornal CORREIO


 

Em Lafaiete, a segurança pública virou uma promessa em looping. Desde 2006, o videomonitoramento é anunciado como resposta para a criminalidade, empilhando uma sequência de falhas. As iniciativas são anunciadas, recursos são sinalizados, processos são iniciados e, ao final, interrompidos ou abandonados. Nesse intervalo, a cidade cresceu, e a população subiu de 116 mil para 138 mil habitantes. A dinâmica urbana se tornou mais complexa, e os desafios na área de segurança se intensificaram, sem que o poder público conseguisse transformar planejamento em ação concreta.

O cenário atual não foge a essa lógica. A nova emenda parlamentar, no valor de R$ 500 mil, recoloca o tema em evidência e sinaliza a possibilidade de avanço. Ainda assim, a ausência de um cronograma definido e a dependência de etapas administrativas reforçam uma incerteza que a população já conhece bem e, por isso, questiona: será mais uma promessa ou, desta vez, a cidade vai superar o histórico de frustração?

A pressão por respostas mais consistentes vem de diferentes setores (leia mais sobre o assunto na página 8). Entidades representativas do comércio cobram transparência e prazos, enquanto o Legislativo retoma o debate com ênfase na urgência do tema. Há também referências concretas de municípios que conseguiram estruturar sistemas de monitoramento integrados, com resultados mensuráveis na redução da criminalidade, o que evidencia que a dificuldade local, possivelmente, está mais na capacidade de execução.

A recorrência de iniciativas inconclusas aponta para uma fragilidade mais profunda, relacionada à condução administrativa e à definição de prioridades. Projetos não avançam por falta de continuidade, decisões não se consolidam por ausência de coordenação, e o resultado é uma política pública que nunca ultrapassa o estágio da intenção.

Enquanto isso, os efeitos são percebidos no cotidiano. O aumento das ocorrências, especialmente contra o comércio, e a ampliação da sensação de insegurança não são abstrações. São elementos concretos que impactam a rotina de quem vive e trabalha na cidade, alimentando um sentimento de vulnerabilidade que se agrava à medida que respostas efetivas não se materializam.

Diante desse contexto, o momento atual exige clareza sobre prazos e transparência na condução do processo. Depois de 20 anos, a cidade espera um compromisso de entrega. O que está em jogo é a capacidade de transformar uma demanda recorrente em uma política pública efetiva. Sem isso, qualquer novo capítulo dessa história corre o risco de apenas reforçar um padrão que Lafaiete conhece bem: o de soluções que nunca chegam a existir.

 
 



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Postado por Maria Teresa, no dia 26/04/2026 - 14:14


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