Foto: Rafaela Melo
Projetos, licitações e recursos se acumulam desde 2006; nova emenda de R$ 500 mil recoloca proposta em pauta, ainda sem cronograma definido
A implantação de um sistema de videomonitoramento em Lafaiete volta ao centro do debate público, impulsionada pelo anúncio de R$ 500 mil em emenda parlamentar. A medida reacende uma pauta que atravessa seis gestões, mobiliza o setor produtivo e acumula, ao longo de 20 anos, uma sequência de projetos, licitações e recursos anunciados, sem que nada de efetivo fosse realizado. A indefinição ocorre em um cenário de aumento das ocorrências, com registros de furtos, roubos e ampliação da sensação de insegurança.
Entidades do comércio formalizaram pedidos de informação ao poder público, cobrando transparência sobre o andamento do projeto, recursos disponíveis e prazos. Atualmente, a proposta está em fase de licitação. Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Cidadania, o cronograma de execução ainda não foi definido e dependerá da homologação da empresa vencedora. O financiamento previsto inclui emendas parlamentares estaduais e recursos próprios do município.
Em documento encaminhado à Câmara Municipal, representantes da CDL, CDL Mulher e Acias Mulheres apontam “crescente preocupação com a segurança pública, especialmente no que se refere à proteção das mulheres” e afirmam que “até o momento não houve respostas concretas nem sinalização de execução por parte da administração municipal”.
No Legislativo, o tema voltou à pauta com requerimentos e debates. A vereadora Simone do Carmo, que atuou na articulação da emenda, afirma que o projeto avança após anos de tentativas. “Depois de tantos anos de cobrança, ver um projeto estruturado, com previsão de instalação em 41 pontos estratégicos e prazo estimado para início da implantação, representa um passo importante para proteger a população e dar mais segurança ao comércio.”
Ela destaca que a atuação tem sido voltada à execução. “Esse é um tema que depende menos de uma nova lei e muito mais de prioridade administrativa, planejamento técnico, transparência no processo e execução efetiva.” Segundo a parlamentar, o acompanhamento será intensificado. “Agora que existe a informação de um cronograma com definição de pontos e prazo estimado para instalação, minha posição é acompanhar ainda mais de perto para garantir que a implantação realmente aconteça.”
Já o vereador Pedrinho reforça o histórico de cobranças e a urgência do tema. “Desde o ano de 2025, as cobranças se intensificaram e quase semanalmente se tornam tema de debate e indignação por todos os edis”, afirmou. Ele cita experiências de outros municípios como referência. “Estive conhecendo o Centro de Segurança Pública integrado na cidade de Alfenas, onde as forças de segurança trabalham em conjunto e acompanham a movimentação da cidade por totens e câmeras espalhadas em locais estratégicos, o que reduziu a criminalidade e a violência no município em mais de 80%.”
Para o vereador, o cenário local exige prioridade. “É visto como ponto de muita preocupação o aumento da violência na cidade. Ressalto os furtos e roubos no comércio e assaltos aos cidadãos e penso que deveria ser pauta prioritária na gestão.” Ele também questiona a alocação de recursos. “Milhões gastos com entretenimento de grande porte poderiam estar sanando situações graves e urgentes.
Linha do tempo — 20 anos de espera
A linha do tempo dessa busca pelo videomonitoramento em Lafaiete é pontuada por iniciativas recorrentes e descontinuadas.
Em 2006, a Prefeitura iniciou o projeto “Lafaiete de Olho”, com previsão de câmeras na área central e investimento inicial de R$ 55 mil, além de tentativa de captação de R$ 150 mil por emenda parlamentar. A proposta não foi concluída.
Em 2010, o tema foi retomado com participação da Polícia Militar e previsão de investimento de R$ 300 mil, com apoio de comerciantes locais. No mesmo ano, foi sancionada a Lei Municipal nº 5.185, que passou a exigir câmeras em instituições bancárias.
Em 2011, o município foi incluído no programa estadual Olho Vivo, com previsão de nove câmeras e investimento estimado em R$ 900 mil. Apesar da licitação, o projeto não avançou por falta de liberação de recursos.
Em 2012, com o aumento da criminalidade, a cobrança se intensificou, mesmo com projeto estruturado e orçamento próximo de R$ 1 milhão.
O ano de 2013 concentrou anúncios e mobilização. O Governo de Minas lançou investimentos para outras cidades, sem incluir Lafaiete. Houve novo anúncio de instalação de câmeras, licitação concluída e previsão de implantação no ano seguinte. Paralelamente, equipamentos foram instalados de forma provisória por empresa privada.
Entre 2014 e 2016, sistemas temporários continuaram em operação, sem consolidação de um modelo definitivo.
Em 2018, um novo chamamento público buscou retomar o projeto.
A discussão voltou com força em 2025, com audiência pública sobre segurança. Em 2026, o anúncio de nova emenda parlamentar recoloca a proposta em fase de execução.
Também foram enviados ofícios para a Prefeitura, Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público, mas, até o fechamento da edição, não havia resposta.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 25/04/2026 - 19:20