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Região


Editorial: duplicação da BR-040 de Lafaiete a BH é sonho de consumo da população

O poder público tem o dever de fiscalizar. E a sociedade, de acompanhar.



Foto: divulgação


A duplicação precisa começar

Quem passa pela BR-040 conhece bem a estrada que tem diante dos olhos. O tráfego é intenso, pesado, tenso em razão dos pontos críticos que se repetem ao longo do percurso. Às margens, cruzes empoeiradas contam histórias que as estatísticas, ainda que extremamente alarmantes, nunca souberam traduzir. São marcas de uma rodovia que, há décadas, cobra um preço alto demais.

Também não é nova a expectativa que acompanha cada anúncio de melhoria. Agora, mais uma vez, a duplicação do trecho entre Belo Horizonte e Juiz de Fora volta ao horizonte, com previsão de início em agosto de 2026, por Congonhas, no km 602. Para nós, da microrregião do Alto Paraopeba, o ponto de partida importa muito. Começar por uma das regiões mais sensíveis da rodovia indica, ao menos, uma leitura correta da realidade. É ali que o problema se impõe com mais força. É ali que a resposta precisa chegar primeiro. É exatamente o ponto sobre o qual o Jornal CORREIO tem chamado atenção ao longo do tempo. Nunca nos limitamos a registrar anúncios. Lá em 2014, acompanhamos a expectativa dos primeiros avanços e denunciamos quando eles não se sustentaram. Fomos a voz do Alto Paraopeba quando a sucessão de promessas não se converteu na transformação necessária. A cada acidente, denunciamos riscos e cobramos soluções. No impresso, no online e nas redes sociais, demos visibilidade a uma realidade que, por muito tempo, foi tratada como rotina.

A história da BR-040 ajuda a explicar a cautela. A concessão anterior, nas mãos da Via 040, previa a duplicação de mais de 500 quilômetros. Entregou uma fração disso — e bem longe de nós, em Goiás. O contrato não resistiu, e foi preciso abrir um processo de relicitação. Assim, tudo voltou ao ponto de partida, com os mesmos problemas e uma frustração acumulada.

O trabalho da EPR Via Mineira abre, sim, uma oportunidade concreta. Ao que tudo indica, o projeto é consistente, as intervenções previstas são conhecidas, necessárias e tecnicamente adequadas. A diferença está na execução. E é nesse ponto que a vigilância da sociedade precisa ser permanente. Grandes obras exigem etapas. A EPR precisará lidar com questões como licenciamentos, que sua antecessora não conseguiu avançar. E, se foi justamente nesse percurso que, no passado, o progresso se perdeu, a experiência recente não permite ingenuidade.

A BR-040 reúne, neste momento, condições reais de mudança. A concessionária assume um compromisso público. O poder público tem o dever de fiscalizar. E a sociedade, de acompanhar. O papel do jornalismo, nesse processo, é claro. O Jornal CORREIO seguirá, como sempre, acompanhando de perto, registrando cada etapa, apontando atrasos, reconhecendo avanços e, sobretudo, cobrando de quem é de direito e responsabilidade. Porque, depois de tantos anos, o que permanece em jogo é a segurança de quem passa todos os dias por essa estrada. Temos o direito de não tratar mais como inevitáveis tragédias que poderiam ter sido evitadas. A duplicação precisa começar. Mas, desta vez, precisa chegar ao fim. E, quando chegar, será, enfim, o desfecho de uma cobrança que nunca deixou de existir.

 




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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 19/04/2026 - 13:41


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