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Editorial: as chuvas de março e o histórico sombrio de Lafaiete

Ruas mal planejadas, avenidas que se abrem e fecham na mesma proporção e uma rede pluvial arcaica e obsoleta fazem parte do que se enfrenta com as chuvas na cidade



Foto: Arquivo Jornal CORREIO


 

Quis o destino que as chuvas torrenciais de janeiro, fevereiro e março, que ceifaram vidas de inocentes, destruíram cidades inteiras, interditaram rodovias e impactaram milhares de pessoas ajudaram a agravar problemas crônicos de nossa cidade. É fato inquestionável as dificuldades en­frentadas por Lafaiete ao longo de sua história quando o assunto é chuva.

Ruas mal planejadas, avenidas que se abrem e fecham na mesma proporção e uma rede pluvial arcaica e obsoleta ajudam a corroborar os dramas que estamos vivendo nos últimos anos. Basta chover forte que a água da chuva se concentra na avenida Telésforo e segue para o rio Ba­na­neiras, detonando tudo que tem pela frente.
Na história recente, o município recebeu duas grandes obras de drenagem pluvial, sendo a primeira delas no início dos anos 2000, na gestão do então prefeito Vicente Faria, que ampliou as galerias da nossa principal avenida, da praça Getúlio Vargas até o INSS.

Em 2023, o ex-prefeito Mário Marcus interditou a rua Marechal Floriano Peixoto por dois anos e construiu amplas galerias da linha férrea da MRS Logística até o rio Bananeiras. Essa obra, em especial, foi concluída pelo atual prefeito Leandro Chagas (PRD) e, embora tenha demorado tanto tempo, livrou a parte baixa da cidade, incluindo a Marechal e adjacências, das terríveis inundações, tão comuns em anos passados.

O problema, no entanto, continua na parte mais alta da Telésforo, que, além de não possuir galerias amplas – apenas manilhas em sua extensão, ajuda a aumentar a velocidade da água e, por consequência, contribui para as inundações quase que diárias no período chuvoso. Vivendo há anos com esse problema crônico, a população acabou por se especializar em enfrentá-lo, muitas das vezes com criatividade. Basta o céu escurecer que os comerciantes começam a baixar as portas e os choferes retiram seus carros das partes mais baixas da avenida, para evitar o pior.

É verdade, também, que Lafaiete, a maior cidade do Alto Paraopeba, e um das maiores de Minas, enfrenta todo tipo de dificuldade, numa lista gigante, mas é preciso destacar que as chuvas, além de destruição, trazem também mortes e doenças de todos os tipos, por isso a importância de o poder público tratar esse tema com a seriedade que ele merece. Caso isso não aconteça, não vai adiantar colocar asfalto novo na Telésforo, porque ele será engolido com  as próximas chuvas. Discutir essa questão das águas de verão com profundidade e ousadia é mais do que uma simples prioridade,  é urgente.




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Postado por Maria Teresa, no dia 04/04/2026 - 12:05


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