Foto: Edmilson Dutra
Rafaela Melo, recebeu no estúdio do Jornal Correio a vereadora Simone
A série especial em comemoração ao Mês da Mulher, apresentada por Rafaela Melo, recebeu no estúdio do Jornal Correio a vereadora Simone do Carmo. Logo no início da entrevista, Simone recordou que a política não fazia parte de seus planos. Formada em Direito, ela iniciou sua jornada na administração pública em 2004.
“Eu não tinha nenhuma pretensão política. Surgiu uma proposta de trabalho de um amigo do meu pai, que havia sido eleito vereador em Catas Altas da Noruega.”, relembrou.
A experiência revelou um universo até então desconhecido. Aos poucos, a jovem descobriu na administração pública um campo fértil para aprendizado e transformação. Vieram então as especializações, os cursos e a dedicação constante para compreender cada vez mais o funcionamento das estruturas públicas. “Foi muito desafiador. A administração pública é apaixonante”, contou.
Embora tenha nascido em São Paulo, Simone carrega no coração as raízes mineiras herdadas do pai, natural de Catas Altas. Metalúrgico, ele construiu a vida ao lado da esposa baiana em terras paulistas, onde criaram os filhos. Mais tarde, a família retornou a Minas Gerais. “Meu pai trabalhou na metalurgia até 1990. Depois voltamos, porque acredito que o sonho de todo mineiro é retornar à terra natal”, disse.
O caminho profissional seguiu entre diferentes experiências no setor público. Primeiro, no Poder Legislativo, como assessora jurídica. Mais tarde, veio um novo convite que ampliaria sua atuação.
Simone passou a integrar a Procuradoria de Conselheiro Lafaiete durante a gestão do então prefeito Zé Milton. A mudança representou a transição do Legislativo para o Executivo e abriu novas portas de aprendizado.
“Eu já tinha feito especialização em Poder Legislativo e Direito Constitucional. Quando surgiu a vaga na procuradoria, aceitei. Passei a trabalhar diretamente com legislação e atos normativos”, explicou.
Nessa função, Simone teve contato constante com legislações federais, estaduais e municipais, experiência que aprofundou sua compreensão sobre o funcionamento da máquina pública.
Apesar da trajetória construída na gestão pública, a ideia de disputar um cargo eletivo não fazia parte de seus projetos. A política chegou de forma inesperada.
Inicialmente filiada a um partido apenas para cumprir cota partidária, Simone acabou recebendo um convite do PSD para compor chapa nas eleições.
“Eu realmente não tinha essa pretensão. Quem convivia comigo sabia disso. Planejar uma campanha exige muitos recursos, uma base política forte e pessoas que acreditam em você”, afirmou.
Mesmo assim, incentivada por pessoas próximas, decidiu enfrentar o desafio. A filiação ao partido ocorreu nos minutos finais do prazo estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral.
“Fiz minha filiação faltando dez minutos para encerrar o prazo”, lembrou.
A campanha, no entanto, começou de forma tímida. “Eu não tinha uma pauta definida. Não sabia exatamente por onde começar. E pedir voto é algo muito difícil”, disse.
Quando o resultado das urnas foi divulgado, a surpresa tomou conta. “Meu sobrinho ficava pedindo para eu atualizar o resultado. Foram 1317 votos para um primeiro mandato de alguém que nunca tinha concorrido a nada”, contou.
A caminhada até o mandato também teve momentos de dúvida. Durante a campanha, Simone pensou em desistir algumas vezes ao perceber de perto as dificuldades enfrentadas por diferentes comunidades da cidade.
“Eu desisti umas quatro vezes. A gente chegava em lugares onde a administração pública ainda não tinha conseguido chegar”, relatou.
Mesmo depois de eleita, os desafios continuaram. Simone conta que enfrentou resistências e situações difíceis dentro do ambiente político. “Não é fácil. Às vezes existem barreiras e até retaliações. Por isso é fundamental ter uma boa equipe e parceiros fortes para desenvolver os projetos”, disse.
Ao falar sobre o papel feminino na política municipal, Simone acredita que ainda há muitas mulheres com potencial fora desse espaço. Para ela, ampliar a participação feminina não é apenas uma questão de representatividade, mas também de construção de políticas públicas mais sensíveis às necessidades da população.
A entrevista integra a série especial dedicada ao Mês da Mulher, exibida no canal do Jornal CORREIO, no Youtube, que busca revelar histórias reais de mulheres que, com coragem e determinação, seguem escrevendo novas páginas na vida pública e na história da comunidade.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 22/03/2026 - 11:49