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Política


Possível chegada de Glaycon Franco à Câmara resgata história do único deputado federal de Lafaiete

O hiato remete a Dr. Francisquinho, até hoje o único parlamentar federal ligado à cidade



Foto: divulgação


A vida pública de Francisquinho teve início no legislativo municipal

A chance concreta de o ex-deputado estadual Glaycon Franco (PV) assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília, devolveu atualidade a um capítulo raro da história política de Conselheiro Lafaiete. Caso a posse se confirme, o município voltará a ter representação direta no Congresso Nacional após 75 anos. O hiato remete a Francisco Rodrigues Pereira Júnior, o Dr. Francisquinho, até hoje o único parlamentar federal ligado à cidade.

Nascido em Carandaí, em 1894, Francisco Rodrigues Pereira Júnior chegou ainda jovem a Lafaiete, onde construiu sua vida pessoal, profissional e política. Formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela então Faculdade de Direito de Belo Horizonte, em 1916, estabeleceu-se como advogado e passou a atuar em causas individuais e empresariais, especialmente nos setores de mineração e indústria — atividade que exerceu por cerca de seis décadas.

A vida pública teve início no legislativo municipal. Foi vereador e presidente da Câmara de Lafaiete — à época denominada Queluz — no fim dos anos 1920. Posteriormente, exerceu mandato de vereador entre 1935 e 1937. A experiência local abriu caminho para a política nacional, com a eleição para deputado federal nos anos 1930, em mandato interrompido pela Revolução de 1930, e, mais tarde, no período de 1946 a 1951, já no contexto da redemocratização.

Como parlamentar, Dr. Francisquinho integrou a Assembleia Nacional Constituinte de 1946, responsável pela elaboração da Constituição que pôs fim ao arcabouço autoritário do Estado Novo. O texto marcou a reorganização institucional do país, ao restabelecer direitos civis, liberdades políticas e o funcionamento pleno do Congresso Nacional. Seu último mandato legislativo ativo encerrou-se em janeiro de 1951. Embora tenha sido eleito suplente em pleitos posteriores, não voltou a assumir cadeira na Câmara.

Além da atuação política, teve papel relevante na organização da advocacia mineira, ao presidir a 2ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em diferentes períodos entre as décadas de 1930 e 1950. Também reuniu uma biblioteca com cerca de 11 mil volumes, posteriormente doada à Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete por suas filhas, após sua morte, em 1985. Em 1984, foi agraciado com a Medalha da Inconfidência, em solenidade presidida pelo então governador Tancredo Neves, em reconhecimento à sua contribuição institucional ao estado.

 




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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 08/03/2026 - 12:31


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