Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Além de promover ganho de força, melhora da composição corporal e mais disposição, a musculação pode desempenhar um papel decisivo na proteção do cérebro contra a demência. É o que aponta um estudo conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicado na revista científica GeroScience.
A pesquisa avaliou 44 pessoas diagnosticadas com comprometimento cognitivo leve — condição intermediária entre o envelhecimento natural e a doença de Doença de Alzheimer, caracterizada por um declínio cognitivo maior do que o esperado para a idade. Os resultados mostraram que o treinamento de força não apenas melhorou o desempenho da memória, como também promoveu alterações positivas na anatomia cerebral dos participantes.
Músculos fortes, cérebro saudável
Nos últimos anos, estudos vêm reforçando a ideia de que o músculo funciona como um órgão endócrino. Durante a contração muscular, são liberadas substâncias chamadas miocinas, que atuam como mensageiros químicos no organismo.
Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em Saúde Postural, Dores Crônicas, Pilates, RPG e Liberação Miofascial, as miocinas exercem um papel fundamental na comunicação entre músculos e outros órgãos.
“As miocinas alcançam o fígado, o pâncreas, o tecido adiposo, o sistema imunológico e também o cérebro. Além disso, os treinos de força ajudam a reduzir processos inflamatórios e contribuem para o equilíbrio dos hormônios relacionados ao estresse e ao envelhecimento”, explica.
No cérebro, essas substâncias estimulam a neuroplasticidade — capacidade de formar novas conexões neurais —, favorecem a memória, o aprendizado e a atenção, além de reduzirem inflamações associadas ao declínio cognitivo.
Impacto na prevenção da demência
Com o envelhecimento acelerado da população, cresce também a incidência de doenças associadas à senilidade, como as demências. Entre elas, o Alzheimer é a forma mais comum.
De acordo com a especialista, há evidências de que as miocinas também ajudam a reduzir a inflamação cerebral, melhorar a saúde metabólica do cérebro e influenciar positivamente marcadores característicos da demência, como o acúmulo de beta-amiloide.
“Diante das evidências atuais, podemos afirmar que o treinamento de força é crucial para manter o cérebro e o corpo saudáveis, especialmente em idosos. Quanto mais cedo a pessoa investir no fortalecimento muscular, maiores são as chances de prevenir o Alzheimer e outras demências”, destaca Walkíria.
Frequência e orientação
Para obter os benefícios, a recomendação é praticar musculação de três a quatro vezes por semana, alternando treinos de membros superiores e inferiores. A profissional também sugere o Pilates como complemento.
“O Pilates fortalece a musculatura profunda, especialmente o core, responsável pela sustentação da coluna vertebral. Além disso, melhora equilíbrio, postura, consciência corporal e contribui para a saúde mental, algo essencial no processo de envelhecimento”, ressalta.
Com o aumento da expectativa de vida, especialistas reforçam que não basta viver mais — é preciso envelhecer com qualidade. A prática regular de exercícios de força é apontada como uma das estratégias mais eficazes para manter autonomia, independência e reduzir o risco de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e demências.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 17/02/2026 - 08:42