Foto: Arquivo Jornal CORREIO
Amanda oliveira alerta que a ingestão insuficiente de proteínas, associada à deficiência de ferro, vitamina B12, cálcio e vitamina D, pode levar à sarcopenia
A popularização de medicamentos como Mounjaro, Wegovy e Ozempic reposicionou o debate sobre emagrecimento no Brasil. Conhecidas como “canetinhas emagrecedoras”, essas drogas passaram a ocupar espaço central no tratamento da obesidade e de doenças metabólicas, ao atuar diretamente em mecanismos hormonais do organismo que regulam fome, saciedade e metabolismo. Especialistas, no entanto, alertam que os efeitos vão além da perda de peso e exigem acompanhamento profissional rigoroso.
Segundo a nutricionista Amanda Oliveira, esses medicamentos pertencem à classe dos análogos de peptídeos intestinais, pequenas moléculas formadas por cadeias curtas de aminoácidos que funcionam como mensageiros químicos. “Eles são produzidos por células especializadas do intestino e participam da digestão, da absorção de nutrientes, do controle do apetite e da comunicação entre intestino, cérebro e pâncreas”, afirma.
Os fármacos utilizados atualmente imitam principalmente dois hormônios: o GLP-1 e o GIP. O GLP-1 estimula a liberação de insulina, reduz o apetite e retarda o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade. Já o GIP auxilia a liberação de insulina após as refeições. A ação combinada desses hormônios contribui para a regulação da glicemia, melhora da resistência à insulina e redução da chamada food noise, associada à fome emocional.
Estudos clínicos apontam benefícios que vão além do emagrecimento. Entre eles estão a melhora do diabetes tipo 2, da síndrome metabólica e da esteatose hepática, além da redução da gordura visceral, melhora do perfil lipídico e proteção cardiovascular. Há ainda indícios de estímulo à neuroplasticidade cerebral, com possível efeito protetor cognitivo.
Apesar dos resultados, o uso não é indicado para todos. Conforme enumera a especialista, as principais contraindicações incluem histórico de câncer medular de tireoide, pancreatite prévia, gravidez, lactação — na maioria dos casos — e distúrbios gastrointestinais graves. Os efeitos colaterais mais frequentes envolvem náuseas, vômitos, refluxo, diarreia ou constipação, além do risco de deficiências nutricionais decorrentes da baixa ingestão calórica.
Nesse cenário, o acompanhamento nutricional torna-se decisivo para a segurança e a eficácia do tratamento. “O nutricionista é fundamental para garantir suporte proteico adequado, preservar a saúde metabólica e muscular e orientar mudanças de hábitos que sejam sustentáveis”, diz Amanda. Ela alerta que a ingestão insuficiente de proteínas, associada à deficiência de ferro, vitamina B12, cálcio e vitamina D, pode levar à perda de massa magra, condição conhecida como sarcopenia, aumentando o risco de estagnação do tratamento e de efeito rebote.
Entre as estratégias nutricionais indicadas estão o fracionamento das refeições, a escolha de alimentos de melhor digestibilidade, o ajuste adequado de fibras e gorduras, a hidratação correta e o aumento da ingestão proteica. Sem esse acompanhamento, os riscos incluem emagrecimento não saudável, fraqueza, anemia, queda de cabelo, perda muscular e uma relação disfuncional com a comida.
Para que o tratamento alcance resultados consistentes, a nutricionista destaca que o uso das medicações deve estar associado à prática regular de atividade física, especialmente musculação, além de boa hidratação e sono reparador. “Nenhuma medicação faz milagre sem mudança de estilo de vida”, afirma.
Nutricionista Amanda Oliveira
Especialista em Nutrição Clínica e Esportiva Funcional
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Postado por Rafaela Melo, no dia 07/02/2026 - 16:21