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Editorial: Acolher faz parte da nossa história

Pelo menos 108 venezuelanos vivem e trabalham na região



Foto: P. de Souza


Orquídea Del Carmem Perez Flores é uma das muitas venezuelanas que trabalham em Lafaiete

O Brasil já atravessou muitos ciclos de chegada. Em diferentes momentos, pessoas deixaram seus países não por desejo, mas por necessidade, empurradas por guerras, crises econômicas, conflitos religiosos, colapsos institucionais. Japoneses, chineses, alemães, italianos, portugueses, outros europeus ou africanos encontraram aqui um território possível quando o mundo parecia não oferecer alternativas. Foram acolhidos, trabalharam, criaram raízes e ajudaram a construir a sociedade brasileira contemporânea.

É com esse olhar histórico que se deve compreender a presença venezuelana em Lafaiete, no Alto Paraopeba, em Minas Gerais e no Brasil. Trata-se de um movimento discreto, numericamente limitado, mas sólido. São famílias separadas por fronteiras, jovens inseridos no mercado de trabalho. São pessoas que se definem como refugiadas temporárias e que mantêm o desejo de retorno assim que o país de origem permitir.

A migração venezuelana não nasce de escolhas ideológicas nem de conveniências pessoais. Ela resulta de um colapso prolongado que atingiu a economia, os serviços públicos e a própria noção de segurança cotidiana. No Brasil, esses imigrantes encontram documentação, acesso a políticas públicas e oportunidades de trabalho que garantem o mínimo de dignidade. Ainda assim, o refúgio é vivido como etapa que antecede o destino final.

Nesse contexto, é fundamental rejeitar qualquer forma de preconceito, inclusive aquelas que se apresentam de modo sutil, travestidas de preocupação administrativa ou receio social. A história brasileira demonstra que acolher nunca foi sinônimo de perda. Ao contrário, foi sempre um gesto de afirmação coletiva, de confiança na capacidade de integração e convivência.

Lafaiete e a região do Alto Paraopeba vivem a continuidade de um traço nacional: a abertura ao outro em momentos de crise. Os venezuelanos que hoje trabalham no comércio, nos serviços e em atividades operacionais locais não ocupam um espaço estranho à comunidade. Participam da economia, construindo rotinas e compartilham responsabilidades, enquanto aguardam a possibilidade de voltar para casa.

Acolher não precisa ser um embate. É uma escolha consciente, fundada na memória e na civilidade. O Brasil se tornou o que é porque, em diferentes épocas, soube abrir portas. Reafirmar esse compromisso agora é menos um gesto político e mais uma declaração de identidade. Tratar bem os venezuelanos, sem preconceito ou discriminação velada, é reconhecer que o país que acolhe hoje é o mesmo que já precisou acolher ontem — e que pode precisar novamente amanhã.

 

 




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Postado por Maria Teresa, no dia 01/02/2026 - 13:49


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