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Transformar a hora do banho não acontece do dia para a noite, mas a consistência é a chave.
Se na sua casa a frase “hora do banho” é sinônimo de correria, choro e negociações exaustivas, você não está sozinho. Para alguns pais, tirar os pequenos da frente das telas ou das brincadeiras para entrar no chuveiro é, frequentemente, o momento mais estressante do dia, e isso pode durar dos três anos até a adolescencia. Mas por que essa resistência é tão comum? Segundo a psicóloga Ana Freitas (CRP 04/80063), educadora parental e especialista em terapia cognitivo-comportamental na infância e adolescência, a resposta está na função do comportamento. “Para a Análise do Comportamento, o conflito acontece porque toda ação da criança tem um objetivo: seja escapar de algo que ela não quer fazer ou, mais frequentemente, continuar algo que está muito interessante naquele momento, como um jogo”, explica a especialista. A boa notícia é que não é preciso mágica para mudar esse cenário, apenas estratégia. Com base nas orientações de Ana Freitas, listamos 5 dicas práticas para trazer paz e previsibilidade à rotina noturna.
Gamifique o banho (torne a experiência lúdica)
Quando uma atividade é divertida, a resistência cai drasticamente. O segredo é mudar a associação mental da criança: o banho deixa de ser o “fim da brincadeira” e passa a ser uma nova fase da diversão.
Como fazer:
A lógica: isso aumenta o reforçamento positivo. O banho passa a trazer consequências agradáveis imediatas.
O segredo está na previsibilidade
A ansiedade e a oposição diminuem quando a criança sabe exatamente o que vai acontecer. Surpresas desagradáveis geram reações de defesa.
A dica da especialista: Mantenha horários consistentes e uma ordem “sagrada”. Por exemplo: jantar, descanso de 10 minutos, banho, pijama. Quando essa sequência se repete, o cérebro da criança entende o banho como um passo natural, e não uma interrupção arbitrária.
A regra de ouro: não grite de longe
Um dos maiores erros dos pais é gritar “Vai tomar banho!” lá da cozinha enquanto a criança está imersa em um desenho ou jogo. Isso é a receita para a frustração.
A abordagem correta:
Segundo Ana, evitar a interrupção abrupta reduz significativamente os comportamentos de fuga e esquiva.
Dê autonomia (com limites)
Ninguém gosta de receber ordens o tempo todo. Dar pequenas opções à criança reduz a sensação de imposição e aumenta a cooperação.
Exemplos práticos:
O foco muda da briga (“não quero ir”) para a escolha (“qual eu prefiro?”), aumentando o engajamento.
Reforce o comportamento que você quer ver
Muitas vezes, damos muita atenção quando a criança faz birra, mas ficamos em silêncio quando ela obedece. A especialista sugere inverter essa lógica.
Quando seu filho colaborar, reconheça imediatamente.
Isso aumenta a probabilidade de o comportamento cooperativo se repetir amanhã.
Transformar a hora do banho não acontece do dia para a noite, mas a consistência é a chave. “Quando entendemos que o comportamento da criança tem funções claras e usamos estratégias alinhadas com previsibilidade, brincadeira e comunicação adequada, todo mundo ganha”, finaliza Ana. O objetivo final é transformar um momento de estresse em uma oportunidade de cuidado e conexão.
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 06/12/2025 - 07:20