Foto: Rafaela Melo
Os casos, registrados na região central da cidade, provocaram prejuízos financeiros
Em meio ao aumento das contratações temporárias de fim de ano, dois comerciantes de Lafaiete procuraram a Redação do Jornal CORREIO para relatar furtos cometidos por funcionários dentro de seus próprios estabelecimentos. Ambos se identificaram à reportagem, mas pediram para não ter os nomes divulgados por receio de retaliações e para preservar a rotina das lojas. Os casos, registrados na região central da cidade, provocaram prejuízos financeiros e desgaste emocional. Também tocaram em um ponto sensível, que é a relação de respeito e confiança no ambiente profissional.
O primeiro relato é de um comerciante do setor de eletrônicos e acessórios para celular. Ele contou que três funcionários foram presos em flagrante após semanas de monitoramento. As desconfianças começaram há algum tempo, levando-o a revisar detalhadamente as imagens internas. “Comecei a monitorar bem. Mesmo com câmeras, eles não se intimidaram. Foram duas semanas acompanhando até eu ter provas concretas, porque se eu não tivesse o flagrante, a Justiça poderia vir contra mim”, afirmou. Segundo o comerciante, os funcionários agiam de maneira independente para desviar dinheiro - ora no caixa, ora em pagamentos diretos. Um deles trabalhava no local havia mais de dois anos; os outros, entre cinco e seis meses. No dia do flagrante, após observar em tempo real a movimentação suspeita, ele acionou o 190. Os três confessaram o crime e devolveram R$ 420, distribuídos entre eles em R$ 200, R$ 190 e R$ 30. “Uma pessoa até tentou inventar uma desculpa rápida, mas não tinha para onde correr. As provas eram concretas”, disse. Apesar da prisão, os três foram liberados no dia seguinte, o que gerou apreensão ao comerciante, preocupado com a segurança da equipe e da própria loja. O período de investigação, afirma, foi emocionalmente exaustivo: “É ansiedade, tristeza, decepção. Eu confiava neles e, mesmo sabendo que estavam sendo filmados, continuaram furtando.”
O segundo caso envolve o dono de uma loja de roupas masculinas. Há cerca de dois meses, ele identificou um desfalque de R$ 500 em um único dia. O funcionário suspeito trabalhava no estabelecimento havia mais de dois anos e havia sido indicado por outro comerciante da cidade. Era uma pessoa de muita confiança. Eu nunca desconfiei, por isso não monitorava. A decepção foi enorme”, disse. Sem provas, decidiu demitir o funcionário e reforçar a vigilância interna. Com o período de maior movimento no comércio, ambos afirmam ter adotado medidas mais rígidas, como a verificação de referências e o investimento contínuo em sistemas de segurança. Um deles avalia contratar um funcionário exclusivamente para monitoramento interno, como forma de prevenção a furtos cometidos tanto por empregados quanto por falsos clientes. Os dois comerciantes também criticaram a legislação brasileira, que consideram branda para esse tipo de crime. “No mínimo uns quatro a seis meses de prisão para a pessoa aprender que não pode fazer isso”, disse um deles, insatisfeito com a liberação imediata dos suspeitos. Como alerta a outros lojistas, eles recomendam atenção permanente às câmeras, ao fluxo de caixa, aos pagamentos e às rotinas diárias, além de investigação interna rigorosa sempre que houver suspeita. “É muito difícil, porque a gente já paga salário, benefício, e ainda ter prejuízo dentro da própria empresa é complicado. O mundo está difícil, e a atenção tem que ser redobrada”, concluem.
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 30/11/2025 - 16:20