Foto: arquivo Jornal CORREIO
Uma cidade com baixa arrecadação e quase 140 mil habitantes (que ainda atende moradores de mais 20 cidades e convive com uma população flutuante de 50 mil pessoas)
Lafaiete vive um paradoxo que não pode mais ser tratado como mera particularidade administrativa. É a cidade com menor renda per capita entre 28 municípios da região, mas dedica proporcionalmente o segundo maior volume de recursos próprios à Saúde: 36,61% de sua base de cálculo, mais que o dobro do mínimo legal. O esforço é inegável e carrega uma mensagem simples: Lafaiete não se omite. Faz o que está ao seu alcance e um pouco além. Mas é o suficiente? Quem aguarda por cirurgias ou exames de maior complexidade, por exemplo, pode crer que não é.
O problema é que, mesmo fazendo muito, o avanço não chega com a velocidade necessária. O gasto real por morador coloca o município apenas na 24ª posição regional. Não por ineficiência, mas por que a matemática é implacável: uma cidade com baixa arrecadação e quase 140 mil habitantes (que ainda atende moradores de mais 20 cidades e convive com uma população flutuante de 50 mil pessoas) jamais conseguirá sustentar sozinha a estrutura de saúde que a realidade exige.
Enquanto a renda por habitante em Congonhas beira R$ 20 mil anuais, Lafaiete opera com pouco mais de R$ 3,6 mil. A comparação é incômoda, mas necessária, porque revela um sistema que empurra responsabilidades desiguais para municípios muito diferentes em capacidade fiscal. Cobra-se o mesmo padrão de atendimento de quem nunca recebeu o mesmo volume de recursos.
A vontade política está demonstrada nos números. O que não se encaixa é o modelo. Um arranjo federativo que transfere tarefas sem garantir a mesma sustentabilidade financeira está fadado a produzir distorções, filas, serviços que avançam mais lentamente do que deveriam e gestores que precisam escolher qual urgência é mais urgente. E quando a cada R$ 100 arrecadados mais de R$ 36 precisam ser destinados à saúde, o espaço orçamentário para educação, cultura, segurança, infraestrutura, esporte, assistência social, meio ambiente e tantas outras áreas se contrai, criando uma cidade que precisa preservar o básico sem conseguir projetar o futuro.
As soluções já estão alinhadas há anos e não exigem nada além de decisão. A redistribuição mais justa de recursos, associada a uma pactuação interfederativa que imponha corresponsabilidade real, é o caminho para evitar que cidades como Lafaiete continuem pagando uma conta que não é apenas sua. É preciso falar em isonomia. Lafaiete faz a sua parte; os dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado provam isso. O que falta agora é que o sistema faça a dele.
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 29/11/2025 - 18:27