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Comunidade


Mobilidade como serviço: a nova relação do brasileiro com o carro

Entre custos altos, trânsito cheio e novas rotinas, o brasileiro começa a trocar a ideia de “ter” um carro pela liberdade de apenas “usar” quando precisa



Foto: iStock/ Wirestock


Os millennials e a geração Z, acostumados a assinar serviços, em vez de acumular bens, olham para o carro com outro filtro

A vida nas grandes cidades já mostrou que se deslocar é quase como montar um quebra-cabeça diário. Em um trecho, o metrô resolve. No outro, um aplicativo dá conta. Para distâncias curtas, a bicicleta vira aliada. Esse mosaico de escolhas é exatamente a essência da chamada mobilidade como serviço, ou MaaS, um modelo que transforma o transporte em algo integrado, fluido e adaptável à necessidade de cada pessoa. Em vez de pensar no carro como ponto de partida, o MaaS enxerga o usuário como protagonista que combina modais conforme o trajeto. É uma lógica parecida com a de plataformas de streaming: você não precisa “possuí-las”, basta acessar o que faz sentido naquele momento. No transporte, funciona igual. E essa mentalidade, cada vez mais comum fora do país, começa a ganhar força no Brasil, conforme a rotina urbana se torna mais complexa e o carro perde espaço como solução única.

A era da posse x A era do uso: o que mudou
Por muito tempo, o carro no Brasil foi mais que um objeto. Era a primeira grande conquista adulta, o passaporte para a liberdade, quase um “ritual de passagem”. Pesquisas mostram que o brasileiro ainda guarda esse vínculo emocional, uma espécie de relação afetiva com o volante que atravessa gerações. Só que o cenário mudou. O custo de manter um veículo pesa mais no bolso, o trânsito desafia a paciência e estacionar virou quase um teste de resistência. Os millennials e a geração Z, acostumados a assinar serviços, em vez de acumular bens, olham para o carro com outro filtro. A prioridade não é mais encher a garagem, mas simplificar a vida.

Vários fatores empurram essa transformação. Entre eles:

       altos custos de compra, manutenção e documentação;

       congestionamentos que tomam horas do dia;

       consolidação de aplicativos de mobilidade;

       busca por rotinas mais leves e menos burocráticas.

O resultado é um movimento que reposiciona o automóvel. Ele deixa de ser sonho fixo e passa a ser ferramenta, algo que se usa quando convém, e não um item obrigatório da vida adulta.

Alternativas à compra ganham força no mercado
No meio desse caminho entre ter e não ter, surgem modelos híbridos que conversam com a nova mentalidade urbana. O compartilhamento de veículos e os aluguéis por períodos curtos já conquistaram espaço, mas quem realmente se destaca é o formato de assinatura, que funciona como uma ponte entre o conforto de ter um carro e a praticidade de não lidar com todos os custos extras. Especialistas em mobilidade explicam que essa tendência segue a lógica da economia do uso: em vez de comprometer o orçamento com longos financiamentos, o consumidor prefere pagar apenas pelo acesso, com despesas previsíveis e menor responsabilidade com manutenção. É uma mudança que se encaixa no ritmo apressado das metrópoles, em que a agilidade vale mais do que o apego. A busca por flexibilidade e previsibilidade de custos tem impulsionado alternativas à compra financiada, e modelos como a assinatura de carro ganham espaço por incluírem seguro, manutenção e impostos em uma única mensalidade. A combinação entre o avanço do MaaS e o crescimento desses serviços mostra um cenário claro: o carro ainda é parte da vida do brasileiro, mas perdeu o posto de protagonista. Em seu lugar, surge um consumidor que prefere leveza, escolha e menos dor de cabeça, em um trânsito no qual o caminho importa mais que a posse das chaves.

 




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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 28/11/2025 - 14:20


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