Foto: Arquivo Jornal CORREIO
A proporção de lares sem casal é semelhante à média brasileira (43%), o que mostra que o município acompanha a tendência nacional
O retrato das famílias em Lafaiete, Congonhas e Ouro Branco reflete uma transformação que se observa em quase todo o Brasil. Os dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que a estrutura familiar deixou de se encaixar no modelo clássico de “casal com filhos” e passou a incorporar formas mais diversas de convivência.
Em Lafaiete, as estatísticas confirmam o que já se percebe nas ruas: casas menores, mais mulheres à frente do lar e um número crescente de pessoas vivendo sozinhas. 27.203 domicílios lafaietenses (57,1%) são formados por casais de sexos diferentes, 170 (0,36%) por casais homoafetivos e 20.240 (42,5%) não têm cônjuge.
A proporção de lares sem casal é semelhante à média brasileira (43%), o que mostra que o município acompanha a tendência nacional. Em Minas Gerais, pouco mais da metade da população (50,1%) vive em união conjugal — o estado é o único do país em que a maioria dos casados mantém o “pacote completo”: casamento civil e religioso, o que reforça o peso da tradição, ainda que os novos arranjos ganhem força. Em Congonhas e Ouro Branco, esse movimento também é visível. Em Congonhas, 40,3% dos lares são chefiados por pessoas sem cônjuge, enquanto em Ouro Branco essa proporção cai para 37,1%, evidenciando um perfil mais estável e familiarmente estruturado.
Casais com filhos já não são maioria
Os números do Censo mostram uma inflexão histórica. Pela primeira vez, menos da metade (42%) das famílias mineiras é formada por casais com filhos — em 2010, eram 50,4%. Em Lafaiete, as famílias nucleares (casais com ou sem filhos) ainda predominam, somando 66,1% dos domicílios, mas a presença de 14% de famílias estendidas (incluem a coabitação com outros parentes próximos, como avós, tios, primos ou outros colaterais) e unipessoais (18,8%) mostra que o conceito de lar está em plena mutação.
Em Congonhas, a proporção de famílias nucleares sobe para 67,6%, enquanto em Ouro Branco chega a 69,8%, a mais alta da região.
Lares unipessoais, solidão madura e mulheres no comando
Entre os dados mais expressivos está o crescimento dos lares com apenas uma pessoa. Em Lafaiete, eles já representam 18,8% dos domicílios — praticamente um em cada cinco lares. O índice é próximo da média mineira (19,8%) e da média nacional (18,9%), mas o que chama atenção é a composição: 43,7% desses lares unipessoais em Minas são chefiados por pessoas com 60 anos ou mais, revelando o impacto do envelhecimento populacional e o fenômeno da “solidão madura”. Em Congonhas, 15,9% dos lares são unipessoais, enquanto em Ouro Branco o número sobe para 16,3%.
Em Lafaiete, 14,9% dos lares são chefiados por mulheres sem cônjuge e com filhos ou enteados, percentual que supera o dos homens na mesma condição (2,2%). A diferença expressa o protagonismo feminino no sustento das famílias, tendência confirmada no estado e no país: entre 2010 e 2022, o número de famílias monoparentais femininas cresceu de 13,1% para 14,2%, enquanto as masculinas subiram de 1,9% para 2,2%.
Em média, as mulheres chefes de domicílio em Lafaiete vivem com 2,69 moradores, contra 2,81 entre os homens — sinal de núcleos menores, com menos filhos e maior autonomia. Em Congonhas, essa diferença praticamente se inverte: lares femininos têm 2,96 moradores, número superior à média masculina (2,91). Já em Ouro Branco, o cenário é similar ao de Lafaiete: 2,72 moradores em lares chefiados por mulheres, 2,9 em lares masculinos.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 23/11/2025 - 09:35