Foto: Marcos Kadore
Durante o diálogo, o secretário destacou a necessidade de criar e revitalizar espaços culturais que deem visibilidade às expressões locais
A cultura de Lafaiete entrou em pauta na mais recente edição do Correio Entrevista. O 4º episódio do videocast, que foi ao ar na noite de terça-feira, dia 11, e está disponível no canal do Correio Online no YouTube, recebeu o secretário municipal de Cultura, maestro Geraldo Vasconcelos, Carlos Reinaldo (Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette – ACLCL, escritor e trovador) e os artistas Paulo Antunes, Paulinho Demolidor e Hélcio Queiroz. O encontro, mediado pela jornalista Rafaela Melo, deu visibilidade a conquistas recentes e ao desejo comum de construir políticas culturais participativas e sustentáveis.
Um dos anúncios mais importantes da noite foi o início do processo de inscrição de Lafaiete na lista de Patrimônio Mundial da Unesco. Segundo o secretário, o movimento é resultado de um esforço coletivo que busca reconhecer o valor histórico, artístico e simbólico do município. “Estamos avançando em uma conquista histórica, fruto de um trabalho conjunto que precisa continuar com o envolvimento de toda a sociedade”, afirmou Geraldo Vasconcelos, ressaltando que o reconhecimento internacional também estimula o turismo e o sentimento de pertencimento da comunidade.
Durante o diálogo, o secretário destacou a necessidade de criar e revitalizar espaços culturais que deem visibilidade às expressões locais. “Temos talentos em teatro, música, dança e artes plásticas, mas ainda enfrentamos carência de locais adequados. Cultura se faz com diálogo, planejamento e continuidade”, disse. Ele reforçou que a atual gestão atua com transparência e integração entre os diversos segmentos culturais, e que o desafio é estruturar uma política cultural permanente, e não apenas ações pontuais.
O ator, escritor e professor Paulo Antunes reforçou a urgência de garantir continuidade às políticas públicas e defendeu o fortalecimento das instituições culturais. “Não basta promover eventos pontuais. É preciso manter a roda girando e apoiar quem faz arte todos os dias. Lafaiete precisa de uma galeria de arte, de um teatro com programação regular e de um calendário cultural permanente. A cidade tem um potencial enorme, mas ainda carece de estrutura e incentivo”, pontuou.
Na mesma linha, o artista plástico e pensador Paulinho Demolidor destacou o papel transformador da arte e a importância de valorizar o trabalho criativo. “A arte é resistência: salva, transforma e dá voz. Quando falamos em cultura, falamos também de identidade e memória. Vejo muitos artistas desistirem por falta de apoio. Às vezes, o que falta não é dinheiro, mas respeito. Como costumo dizer, não me peça de graça a única coisa que eu tenho pra vender”.
Entre os exemplos de projetos de impacto comunitário, o artista plástico, escritor e contista, Hélcio Queiroz apresentou o trabalho da Associação dos Moradores e Amigos da Região (Amar), reconhecida pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura, de Memória e de Leitura. A entidade, fundada há 26 anos, promove oficinas de arte, cursos livres, ações de inclusão digital e mantém uma biblioteca comunitária ativa, que se tornou referência em formação e cidadania. “A Amar é a prova de que a cultura nasce do coletivo. Lançamos um livro comemorativo dos 25 anos e, em breve, apresentaremos o calendário de 2026, com o tema Acessibilidade”, contou Hélcio, que também é designer e artista plástico.
O escritor e acadêmico Carlos Reinaldo lembrou o legado dos nomes que marcaram a história cultural de Lafaiete — de Bernardo Guimarães e Placidina de Queiroz às tradicionais bandas de congado e aos antigos carnavais — e alertou para a importância de formar novas lideranças culturais. “A cultura é uma conquista coletiva. O século XX perdeu grandes nomes, mas não pode perder o desejo de produzir novos valores. Hoje, temos apenas duas livrarias em uma cidade com quase 140 mil habitantes. Precisamos resgatar o gosto pela leitura e pela arte como parte da vida cotidiana”, afirmou.
Em outro momento, Carlos também destacou a criação da seção local da União Brasileira de Trovadores (UBT) e convidou o público para os 7º Jogos Florais de Conselheiro Lafaiete, concurso nacional de trovas cujo tema é “Segredo”. A iniciativa reforça a tradição literária do município e estimula o surgimento de novos talentos. “A trova é a síntese da poesia popular, um exercício de arte e engenho que continua vivo entre nós”, destacou.
O debate ainda ressaltou o papel da Academia de Ciências e Letras de Lafayette, que há mais de 30 anos atua na valorização da literatura e da memória local, e a necessidade de ampliar o diálogo entre instituições, artistas e poder público. “A cultura é o que nos une e nos faz pertencer. O desafio é manter viva essa chama”, completou Carlos Reinaldo.
Quer saber mais?
Acesse e confira o vídeo com a entrevista completa.
Você está lendo o maior jornal do Alto Paraopeba e um dos maiores do interior de Minas!
Leia e Assine: (31)3763-5987 | (31)98272-3383
Postado por Rafaela Melo, no dia 22/11/2025 - 19:20