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Lafaiete tem 10 mortes e mais de 300 vítimas de trânsito em 2025

Jovens são maioria; BR-040 e principais avenidas concentram os acidentes mais graves, segundo o Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais



Fotos: Álbum de família


Vera e Clarice foram vítimas fatais do trânsito de Lafaiete só na última semana

O trânsito de Conselheiro Lafaiete segue matando. Até setembro de 2025, foram 310 vítimas de acidentes, das quais oito perderam a vida, segundo dados abertos do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais. Os números se somam aos dados de outubro, levantados pelo Jornal CORREIO, mas que ainda não constam na base da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp): uma colisão no bairro São Dimas, entre um carro e uma moto, ocorrida no dia 23, que resultou em uma morte, e um atropelamento, dois dias depois, na rua Duque de Caxias, que também resultou em óbito — somando pelo menos 10 vidas perdidas no trânsito.

As estatísticas, embora pareçam modestas diante de cidades de grande porte, escondem uma realidade persistente: os mesmos locais continuam concentrando colisões e atropelamentos, e o perfil das vítimas permanece praticamente inalterado — homens jovens, entre 18 e 29 anos, em vias de grande fluxo ou rodovias de alta velocidade. Ao todo, Lafaiete registrou 1.450 acidentes de trânsito em 2025, sendo 1.198 sem vítimas e 252 com feridos ou mortos. O total representa uma leve alta em relação a 2024, quando foram 305 vítimas, e a 2023, com 301. Considerando apenas os dados da Sejusp (até setembro), a avenida Prefeito Telésforo Cândido de Resende aparece no topo do ranking, com 103 ocorrências, das quais 19 com vítimas. A BR-040, que corta o perímetro urbano, vem logo atrás, com 83 acidentes, dois deles fatais. Outras vias críticas são as avenidas Professor Manoel Martins e Mário Rodrigues Pereira, além da rua Lopes Franco no bairro Carijós. A análise mostra dois tipos de cenário: nas avenidas municipais, a combinação de fluxo intenso, sinalização precária e travessias perigosas; na rodovia, o excesso de velocidade e a convivência arriscada entre carros e caminhões. O retrato das vítimas confirma a tendência observada em anos anteriores: quase 65% são homens, e 41% têm entre 18 e 29 anos. A maioria possui ensino médio completo ou superior incompleto — jovens em fase economicamente ativa. Entre os idosos, os registros são menos frequentes. Os dados sugerem uma ligação direta entre o comportamento de risco e a ausência de ações preventivas contínuas. Metade das mortes fatais ocorreu entre pessoas de até 29 anos.

Os meses de janeiro, março e maio registraram os maiores números de acidentes, enquanto fevereiro e setembro tiveram menos ocorrências. Os pontos mais letais de 2025 foram a rua Ro­drigues Maia no bairro Angêlica, com três mortes, e a BR-040, com duas. Também houve vítimas fatais na avenida Prefeito Telésforo Cândido de Resende, nas ruas Mon­senhor Moreira e Levi Leite no bairro São Sebastião.

A dor da perda
Mas, por trás das estatísticas, há histórias, nomes e famílias. Uma delas é a de Clarice, que morreu em outubro após ser atropelada por um motorista que, segundo a polícia, estava em condução perigosa e omitiu socorro à vítima. A filha, Amanda Larissa Soares Santos, de 23 anos, se lembra com profunda tristeza do dia do acidente. “Muitos conhecidos da minha mãe passavam pelo local. Um deles ligou para a companheira dela, que foi me buscar no trabalho. Eu vim correndo, achando que estaria tudo bem, mas, quando cheguei, entrei em desespero”, conta Amanda.
Clarice voltava para casa depois de passar no mecânico para arrumar a corrente da moto. O Samu chegou rápido, mas não houve tempo para reverter a gravidade do impacto. “Minha mãe nunca foi de correr pilotando moto. Ninguém esperava essa tragédia”, lamenta. Segundo Amanda, a rua onde tudo aconteceu é movimentada e perigosa. “Exige atenção, ainda mais quando existe um louco como aquele, embriagado, dirigindo.” Ela acredita que alguma sinalização poderia ter ajudado, mas reforça que o problema principal foi a irresponsabilidade do condutor. “Era um cruzamento, e ele simplesmente não respeitou.”  A dor, no entanto, se mistura à indignação. “É um absurdo o motorista estar em liberdade. A família dele não me ajudou com nada. Dinheiro para pagar a fiança arrumaram rapidinho, mas nem uma palavra de conforto mandaram. Espero que a Justiça seja feita e ele pague pelo que fez. Vou mover o que for preciso, porque lugar de gente assim é na cadeia.” Amanda, a companheira da vítima e outros familiares arcaram com os custos do velório e ainda aguardam a conclusão do inquérito. “Estamos tentando confiar na Justiça — inclusive na divina.”

Outra vítima 
Faleceu na madrugada, do dia 26 de outubro, no Hospital e Maternidade São José (HMSJ), Vera Lúcia de Amorim, 70 anos. A idosa foi atropelada no final da manhã de sábado, dia 25, por um Fiat Uno, no início da rua Euclides Ascendino, quase esquina com Duque de Caxias, no bairro Manoel de Paula. Ela estava internada com traumatismo, múltiplas fraturas e chegou a ser entubada. Abalada, a família não quis gravar entrevista.  Os dados analisados fazem parte da base do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais, que reúne informações das polícias, Corpo de Bombeiros, Samu e órgãos municipais. A base é atualizada mensalmente e representa uma das principais fontes de monitoramento da violência e dos acidentes no estado. Lafaiete tem um trânsito que fere muito e mata pouco — mas mata todos os anos, e quase sempre nos mesmos lugares.

 




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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 09/11/2025 - 16:20


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