Foto: Divulgação
Rogério também ministra aulas na Escola de Música Vivace, em Lafaiete, e na Escola de Viola Três Caminhos, em Queluzito
A história de Rogério Rodrigues de Castro, 62 anos, com a viola caipira começou ainda na infância, quando morava no interior e ouvia pelo rádio as modas que retratavam o cotidiano rural. “As músicas caipiras cantavam o dia a dia da época, e eu via aquelas histórias acontecendo lá na roça. Mesmo depois que fui pra cidade, essa essência ficou muito forte dentro de mim. A viola é encantada, é ela que escolhe a gente”, conta o violeiro, que hoje dedica sua vida à preservação dessa tradição.
Atualmente, Rogério está à frente do grupo Violeiros de Queluz CL, criado com o objetivo de manter viva a tradição da viola caipira e preservar as levadas e ritmos clássicos do cancioneiro popular brasileiro, como toadas, cururus, guarânias, modas campeiras, querumanas, cateretês, pagodes de viola, chamamés, cipó preto e polcas. “Ao preservar a originalidade dos toques e dos ritmos, a gente garante que essa cultura chegue às próximas gerações”, afirma.
O grupo nasceu há três anos, a partir de um projeto em parceria com o Instituto Meraki e apoio da Secretaria de Cultura de Lafaiete, cidade historicamente conhecida pela fabricação das Violas de Queluz. A iniciativa deu origem às oficinas de viola, que hoje reúnem mais de 50 alunos com idades entre 6 e 80 anos, no Espaço Cultural José Robert, localizado na rua Duque de Caxias, 881, no bairro Chapada. O espaço é cedido gratuitamente pelo parceiro Reinaldo Meireles.
“As reações são as mais diversas e animadas. Muita gente queria aprender a tocar viola e não tinha oportunidade. Costumo dizer que não sou eu que ensino, são os alunos que aprendem. É um desafio pessoal e muito gratificante ver o resultado”, comenta Rogério. As turmas são formadas conforme o desenvolvimento de cada participante, e o projeto conta com nove instrumentos cedidos pelo Instituto Meraki, emprestados em regime de comodato até que o aluno adquira sua própria viola. “Qualquer pessoa pode se inscrever, mas é importante ter o instrumento para praticar”, explica o violeiro.
O projeto é mantido com recursos da Lei Aldir Blanc, mas o apoio se encerra em dezembro, e Rogério já busca alternativas para dar continuidade às atividades. “Estamos avaliando possibilidades de novas verbas de incentivo ou até mensalidades simbólicas. Nosso sonho é ter uma sede própria”, revela. Para o músico, a viola é um símbolo genuinamente brasileiro, que atravessou séculos narrando a história do país por meio das modas e cantorias. “Fazer esse trabalho mantendo as tradições é garantir que as futuras gerações tenham acesso à nossa cultura violeira”, destaca.
Além do projeto, Rogério também ministra aulas na Escola de Música Vivace, em Lafaiete, e na Escola de Viola Três Caminhos, em Queluzito. As inscrições para o curso podem ser feitas todas as terças-feiras, das 15h às 20h, no Espaço José Robert. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (31) 97151-6185.
Você está lendo o maior jornal do Alto Paraopeba e um dos maiores do interior de Minas!
Leia e Assine: (31)3763-5987 | (31)98272-3383
Postado por Maria Teresa, no dia 26/10/2025 - 08:10