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Comunidade


Editorial: Muito dinheiro público por água abaixo



Foto: arquivo Jornal CORREIO


Lafaiete não pode mais aceitar a lógica do improviso

A cena se repete em toda a cidade: ruas recém-pavimentadas pelo Programa Asfalta Lafaiete, fruto de anos de espera e alto investimento público, ainda cheiram à novidade quando são cortadas pela Copasa. O resultado é previsível: buracos mal recompostos, asfalto comprometido e desperdício de recursos que pertencem, em última instância, ao contribuinte. E aqui não falamos de pequenos problemas de execução. O que vemos é uma sistemática falta de planejamento, que sempre ocorreu, mas doia menos quando o asfalto era velho e deteriorado, como uma colcha de retalhos de antigas operações tapa-buracos.

O tempo mudou, a gestão também, e o ciclo se repete em um looping quase infinito: a prefeitura anuncia cronogramas, contrata obras e prepara a cidade para o período chuvoso, enquanto a Copasa age como se vivesse em outro tempo. A consequência é que a cidade paga duas vezes: primeiro para asfaltar, depois para remendar o que não deveria ter sido rompido. E, claro, há uma óbvia perda de qualidade, pois o remendo nunca será tão bom quanto o original. A Praça São Sebastião, que recebeu asfalto novo há poucos dias, já ilustra a contradição.

No lançamento do programa, o prefeito Leandro Chagas afirmou ter chamado a Copasa para ajustar procedimentos e evitar essa sobreposição de esforços. Passados alguns meses, a realidade mostra que o diálogo não foi suficiente. A resposta da companhia, burocrática e protocolar, remetida ao Jornal CORREIO para a notícia que circula na página 2 desta edição, não explica o essencial: por que o planejamento de suas obras não conversa com o da cidade? Lafaiete não pode mais aceitar a lógica do improviso. Obras de saneamento são indispensáveis - ainda mais em uma cidade antiga, mas em franca expansão. No entanto, elas precisam estar articuladas com os investimentos em infraestrutura viária. Do contrário, o que se produz é desperdício - de dinheiro, de tempo, da paciência e da confiança da população.

A Copasa tem a obrigação de rever seus processos e assumir compromissos claros para com a cidade. Não é razoável que cada conquista em mobilidade e urbanismo se transforme em um canteiro de recortes malfeitos. Planejamento não é favor, é dever. E o contribuinte não aceita mais ver seu dinheiro literalmente indo por água abaixo.

 




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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 27/09/2025 - 13:20


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