Foto: HRB / Divulgação
O procedimento de enucleação foi realizado em uma paciente que já havia manifestado à sua família o desejo de ser doadora
O Hospital Regional de Barbacena (HRB), unidade da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), realizou na quinta-feira, dia 25, a primeira captação de córneas em doador com coração parado. A iniciativa representa um marco importante para a instituição e para o sistema de transplantes em Minas Gerais.
A realização integra as ações do Plano Estadual de Doação e Transplantes (PEDT), criado para ampliar a captação de órgãos e salvar mais vidas. O plano prevê, entre outras medidas, o fortalecimento das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTTs) e a capacitação das equipes hospitalares para condução dos procedimentos.
Segundo o presidente da CIHDOTT do HRB e membro da equipe de enucleação, Marcio Antonio Resende, a unidade foi uma das primeiras da Fhemig a participar da capacitação, promovida em parceria com o MG Transplantes e a Feluma. Ele destaca a relevância do momento:"Este primeiro foi um momento de muita emoção para a nossa equipe. Tenho certeza que foi apenas o início de muitos e que poderemos contribuir com a diminuição da fila de espera por córneas em Minas Gerais", celebrou.
O procedimento de enucleação, que consiste na remoção cirúrgica completa do globo ocular, foi realizado em uma paciente que já havia manifestado à sua família o desejo de ser doadora. A enfermeira Tânia Michele da Costa ressaltou o cuidado da equipe:"O processo foi conduzido com muita dedicação, cuidado e respeito por toda a equipe envolvida, garantindo que cada etapa fosse realizada com excelência e humanização, reafirmando nosso compromisso com a vida e com o bem-estar dos nossos pacientes".
De acordo com Márcio Resende, antes, nos casos de doadores com coração parado, a captação só podia ser realizada pelo Banco de Olhos de Juiz de Fora, o que dificultava a execução devido ao tempo de deslocamento:“Como todo o procedimento deve ser feito em até seis horas após o óbito, com a equipe presente no hospital, a abordagem ocorre de forma mais rápida, com mais chance de aceitação da família e realização em tempo hábil”.
A enfermeira da Unidade de Internação, Claudia Campos Alves, participou tanto da abordagem à família da doadora quanto da captação, e destacou a importância da conversa familiar sobre o tema:“Me sinto muito orgulhosa em poder participar do processo. Essa doação vai mudar a vida de pessoas que aguardam na fila de espera. Por isso, não se deve esquecer de sempre conversar a respeito do assunto com os familiares, pois são eles quem precisam autorizar o procedimento”. Atualmente, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação de órgãos, o que reforça a necessidade de diálogo sobre o tema. A conquista alcançada pelo HRB representa um avanço importante na estruturação da rede de doação e transplantes em Minas Gerais.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 26/09/2025 - 19:00