Fotos: Zé Geraldo
A secretária Ana Alcântara (6ª da esquerda), Monsenhor Nedson, Padres Sérgio e Manuel Brandão (pároco de Matozinhos-PT) ladeados pela comitiva de provedores da Santa Casa de Matozinhos
Terminou nesse domingo, 14 de setembro o 244º Jubileu das Celebrações ao Senhor Bom Jesus de Matozinhos de Congonhas. O evento que começou no dia 7 trouxe como sempre, à Congonhas milhares de pessoas. No “mar de montanhas” de história de Minas, encontramos romeiros vindos de Juiz de Fora, Barbacena, Lafaiete. De Betim, Sabará, Mariana ou de Pirapora. Povo que veio das “minas do ouro preto”, das Minas do sul, das Minas do norte. Na ladeira do Bom Jesus, uma multidão ruidosa sobe (num clima magico, de fé) para a basílica. Vieram render graças ao Senhor Bom Jesus, vieram agradecer a graça alcançada. Na descida, a tradicional parada para uma comprinha, uma “pechichada”. A tradição da fé ao Bom Jesus, remonta ao século XII na cidade de Matozinhos, Portugal. Cidade na diocese de Braga, norte luso, (DNA do povo que veio para as minas do ouro, com sua fé e seus costumes, segundo Augusto de Lima Junior, (1978) em seu precioso livro “A Capitania das Minas Gerais”). Uma imagem do Bom Jesus Crucificado, atribuída a Nicodemos, apareceu intacta, (vinda dos mares), na praia da cidade de Matozinhos, dando início á fé no Bom Jesus. Nas Minas Gerais, Congonhas, Ouro Preto, Itabirito, Brumadinho, Conceição do Mato Dentro, Lagoa Dourada, São João Del Rey e o distrito de Bacalhau de Piranga (onde nesse ano se realizou o 239º Jubileu), referenciam e festejam o Bom Jesus de Matozinhos. Essas cidades formam o Circuito Mineiro de Devoção ao Senhor de Matozinhos. Gente que vem de Lisboa, gente que vem de Matozinhos: Durante o Jubileu de Congonhas, a presença da comitiva de provedores da Santa Casa de Misericórdia de Matosinhos, em Portugal, reafirmou a profunda ligação entre os dois povos unidos pela devoção ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos.
Em todas as igrejas visitadas (das cidades de Minas onde se devota ao Bom Jesus de Matozinhos), os representantes portugueses entregaram aos párocos uma imagem portuguesa do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, símbolo da origem dessa tradição de fé que, há séculos, guia romeiros e devotos. Na Basílica de Congonhas, o Monsenhor Nedson recebeu com muita emoção a imagem e o Museu de Congonhas também recebeu um ex-voto em porcelana portuguesa para integrar o acervo. Ana Alcântara, secretária de Turismo de Congonhas, destaca que o turismo precisa ser regionalizado, por isso a criação do Circuito Mineiro de Devoção ao Senhor de Matozinhos não se limita apenas a Congonhas. Ele integra também as cidades mineiras acima, que tem em comum o culto de devoção ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Cada local guarda sua forma singular de expressar a devoção, fortalecendo um caminho religioso, cultural e turístico que une história, fé e desenvolvimento. Mais do que um roteiro de peregrinação, o Circuito Mineiro do Bom Jesus simboliza a união entre comunidades que compartilham a mesma devoção. Ele abre portas para o intercâmbio cultural e o turismo religioso, aproximando Minas Gerais de Matosinhos, em Portugal, e ampliando os horizontes dessa tradição centenária que continua a emocionar e transformar gerações.
A visita á Basílica de Congonhas é o auge da peregrinação do romeiro, que desde tempos imemoriais vem render graças ao Bom Jesus. Após a breve oração e toque na imagem, segue-se a visita ao magnifico salão dos Ex-votos, onde milhares de fotos e objetos registram desde tempos remotos as graças alcançadas. Á cavalo, a pé (em comitivas de toda a região), de carros de boi, em caminhões improvisados tipo “paus de arara”, hospedando-se ou não na antiga Romaria (hoje instalações da Prefeitura que a reformou em 1995) o Jubileu é um mágico encontro de fé e solidariedade. Após se embebedar e se entorpecer com a riqueza da arte barroca do templo (pinturas da Escola de Mestre Atayde) os profetas de Aleijadinho e as Capelas dos Passos (novamente Aleijadinho e Mestre Atayde) uma visita ao Museu de Congonhas, ao lado, é passeio obrigatório pela devoção do povo de Congonhas em memórias ricas guardadas em imagens, fotos e objetos devocionais. Ainda segundo a Secretária Ana Alcântara, o Jubileu vai muito além da experiência espiritual. Ele representa também um dos maiores motores da economia local, movimentando setores como hospedagem, alimentação, transporte, comércio formal e informal, além dos serviços turísticos e culturais. Pesquisas recentes apontam que durante o período jubilar o público visitante supera a própria população da cidade, gerando impacto positivo na renda local. Essa movimentação faz do Jubileu não apenas um evento religioso, mas também um importante eixo de desenvolvimento socioeconômico para Congonhas.
Segundo o secretário de Cultura de Congonhas, Pedro Cordeiro, o Jubileu de Congonhas deve ser sacramentado também como Registro do Patrimônio Imaterial da cidade de Congonhas até o fim desse ano. Segundo ele, a prefeitura arcou com um custeio de quase dois milhões de reais nas estruturas de apoio ao evento católico, (segurança, profissionais de emergência medica, banheiros, limpeza das vias etc. Ainda a se confirmar estima-se um público no evento de 300.000 turistas e romeiros, para sorrisos de comerciantes e prestadores de serviço do período festivo. Se o Patrimônio Cultural Mundial da Unesco (o conjunto basílica e seu entorno e sua arte barroca) projeta Congonhas para o mundo, o Jubileu ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos projeta a cidade em Minas Gerais com essa maravilhosa e contagiante manifestação coletiva de fé. Contada numa história grandiosa. O museu de Congonhas abre de terça e domingo, com entrada á taxa de R$10,00 inteira, meia para professores, estudantes e meia idade. A Basílica não cobra taxa de visitação.
Mais informações pelo zap 31 99635-0234 (Alô Turismo Congonhas-MG)
José Geraldo Dutra – especial para o Correio da Cidade
Colaborou Ana Alcântara – Mestre em Turismo e Patrimônio Cultural pela UFOP - Secretária de Turismo de Congonhas-MG

O ápice da peregrinação do romeiro: o contato com a imagem do Senhor Bom Jesus
Subindo a Ladeira do Bom Jesus
No salão dos Ex-votos, a memória das graças alcançadas
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 15/09/2025 - 15:53