Foto: arquivo Jornal CORREIO
A maioria dos incêndios é provocada por ação humana para limpar terrenos ou pastagens
Lafaiete nos últimos anos perdeu força em 2025. Entre janeiro e agosto, o Corpo de Bombeiros registrou 145 ocorrências de queimadas no município e 154 na região atendida pela 2ª Companhia. O número representa queda de 87% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram contabilizados 1.175 casos - o maior índice da série histórica. Em 2023, havia 556 registros.
Formado em Engenharia Militar com ênfase em Gestão de Catástrofes, o comandante da unidade, major Daniel Luiz Rodrigues Guimarães, afirma que a redução é expressiva, mas não reflete a dimensão total do problema. “Esses dados consideram apenas os atendimentos realizados. Diversas solicitações ficam de fora das estatísticas porque já estamos empenhados em outras ocorrências”, explicou.
As causas, no entanto, permanecem praticamente inalteradas. A maioria dos incêndios é provocada por ação humana, sobretudo pelo uso intencional do fogo para limpar terrenos ou pastagens. A prática é considerada crime ambiental. “Esse tipo de conduta, além de ilegal, pode gerar incêndios de grandes proporções”, afirmou o comandante. O contexto climático também amplia os riscos. Conforme destaca o comandante, durante a estiagem, fatores como baixa umidade relativa do ar, falta de chuvas, vegetação desidratada e ventos fortes favorecem a propagação das chamas. E vale lembrar que os impactos não se limitam à vegetação: a fumaça intensifica problemas respiratórios, principalmente em crianças e idosos, enquanto a perda de cobertura vegetal compromete mananciais hídricos e degrada o solo. Há ainda riscos imediatos. Próximo a áreas residenciais, as chamas podem atingir casas; em estradas, a fumaça reduz a visibilidade e aumenta a chance de acidentes; e junto a linhas de transmissão, o calor altera a condução elétrica do ar, fenômeno conhecido como “quebra da dielétrica”, que pode gerar descargas fatais.
Para reduzir ocorrências, o Corpo de Bombeiros orienta a população a não utilizar fogo na limpeza de lotes, optar por capina ou roçada, evitar o descarte de bitucas de cigarro em rodovias e certificar-se de apagar fogueiras em acampamentos. As denúncias de queimadas ilegais podem ser feitas pelos telefones 190 (Polícia Militar) e 181 (Disque Denúncia). A Lei Federal 9.605/98 tipifica a prática como crime, sujeito a pena de dois a quatro anos de reclusão e multa.
Em caso de incêndio em vegetação, a orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo 193. Como o serviço enfrenta instabilidade técnica, foram disponibilizados números alternativos: (32) 3052-1851, (32) 3052-1852 e (32) 3339-5593.
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 06/09/2025 - 10:20