Foto Rafaela Melo
Com 2 horas e 20 minutos de duração, o documentário é também o primeiro trabalho de direção de Michel
Em um país onde o debate sobre saúde mental ainda esbarra em estigmas e desinformação, um documentário independente produzido em Lafaiete tenta abrir caminhos. Sob a direção de Michel Alves Antonucci, psicólogo e terapeuta integrativo, a obra retrata, com um olhar cuidadoso, o funcionamento do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e sua importância como política pública dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). O lançamento de Um dia há de se prescreverem flores está previsto para este mês. A ideia nasceu da prática: Michel foi estagiário do Caps, quando participou de oficinas terapêuticas que mesclavam artes e psicologia junguiana como ferramentas de acolhimento e expressão. Formado também em Música pela UFMG e com 12 anos de atuação em terapias integrativas, ele traz para o filme a bagagem de quem conhece o tema tanto na teoria quanto na vivência: “O documentário nasce do desejo de explicar à sociedade o que é o Caps, seu papel como serviço multidisciplinar no SUS e também de combater o preconceito que ainda ronda a saúde mental”, afirma o diretor.
Entre o real e o simbólico
Dividido em oito partes, o filme combina depoimentos reais de usuários, profissionais e gestores com cenas ficcionais pontuais, usadas apenas para preservar o anonimato de pessoas que preferiram não aparecer em vídeo. “Não é um filme com personagens de ficção. São pessoas reais, histórias reais. Usei a ficção apenas para simbolizar casos em que o anonimato foi necessário”, explica Michel.
A produção foi viabilizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, recebidos em 2024, mas o projeto começou a ser desenhado em 2022. A proposta central é sensibilizar a população sobre o acesso gratuito à saúde mental pelo SUS e os impactos do preconceito que ainda afasta muita gente do tratamento. Mas os bastidores da produção revelam outro enredo: o da dificuldade de se falar abertamente sobre saúde mental. “Em muitos momentos, era visível a dificuldade de se falar abertamente sobre o Caps. A resistência não vinha diretamente na fala, mas se expressava em recusas, adiamentos e dificuldades práticas. Isso também diz muito sobre o estigma que a instituição ainda carrega”, relata o diretor. Michel também destaca que, mesmo dentro da estrutura pública, os serviços de saúde mental continuam sendo historicamente subfinanciados, o que reforça a importância de iniciativas como essa.
Exibições presenciais e diálogo com a comunidade
O lançamento oficial está previsto para a primeira quinzena de julho, com exibição em Lafaiete, no Solar Barão de Suassuhy ou em um cinema local. A partir daí, o filme circulará em escolas públicas e outras cidades, sempre mediante convite. Inicialmente, a produção não será disponibilizada em plataformas de streaming, justamente para garantir a possibilidade de inscrição em festivais de cinema. “Nossa ideia é circular com o filme, promover rodas de conversa, exibições presenciais e ampliar o diálogo sobre saúde mental”, conta. Com 2 horas e 20 minutos de duração, o documentário é também o primeiro trabalho de direção de Michel, que já havia colaborado com trilhas sonoras para outras produções audiovisuais. Além de dirigir e roteirizar, ele também assina a trilha sonora original. A direção de fotografia e edição ficaram a cargo de Tiago Amado, com produção executiva de Bárbara Mota. “Mesmo com orçamento modesto, conseguimos produzir um longa com muito empenho, colaboração e propósito. Acredito que ele abre portas para outras produções futuras”, conclui. Quem quiser acompanhar os bastidores do projeto pode seguir o perfil oficial no Instagram: @ doc.umdia
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 12/07/2025 - 17:26