À medida que as eleições se aproximam, algumas frases começam a ganhar força, e uma delas tem me feito pensar: “Temos que votar em quem é daqui.” Eu entendo, também acredito que conhecer a cidade, viver seus bairros, acompanhar suas dificuldades e fazer parte da sua história faz diferença, quando escolhemos alguém que é daqui, esperamos que conheça de perto aquilo que vivemos e que tenha compromisso com a nossa realidade. Mas, olhando para Lafaiete, não consigo parar nessa primeira pergunta. Porque, se o fato de ser daqui fosse suficiente, talvez a nossa realidade já fosse outra, e não é. Continuamos convivendo com problemas antigos, ouvindo promessas que se repetem, acompanhando disputas que muitas vezes parecem ocupar mais espaço do que as próprias soluções, enquanto isso, quem está nos bairros continua esperando respostas, muitas vezes para questões básicas, que fazem parte da vida de todos os dias.
É nesse lugar que passei a olhar para a política de uma maneira diferente. Quando uma demanda chega até a associação, a gente procura entender o problema e encontrar um caminho, e é justamente nesse processo que percebemos que nem tudo depende da Prefeitura, algumas questões passam pelo Estado, outras pela União, algumas precisam de recursos, outras de articulação, e muitas precisam simplesmente de alguém que esteja disposto a acompanhar até o fim. Por isso, quando penso em quem deve representar Lafaiete, não consigo olhar somente para quem nasceu aqui.
Quero olhar para a trajetória, para o que já foi feito, para aquilo que chegou de concreto à cidade, para a presença que existiu antes da eleição e, principalmente, para a coerência entre o que se fala e o que se faz. Porque ser daqui não é garantia de compromisso. Assim como não ser daqui não significa, necessariamente, estar distante. No fim, talvez a pergunta que realmente importe seja outra: quem tem demonstrado, com atitudes e não apenas com palavras, que Lafaiete pode contar com ele?
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Escrito por Rogéria Ramos, no dia 29/10/2026