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Rogéria Ramos


Não é sobre o que aparece



Não precisa procurar muito, está tudo ali, nas telas, nos vídeos, nas postagens. É só observar. Observar a frequência, a constância, o cuidado com o que é mostrado. Sempre há algo sendo apresentado, sempre há um registro, sempre há uma forma de dizer: “estamos fazendo”. E, de novo, isso não seria problema, comunicar faz parte. Mas observar também faz. E, quando se observa com atenção, outra coisa aparece. Aparece o ritmo com que certas decisões acontecem, aparece a velocidade com que alguns projetos avançam, sem debate, sem discussão ampla, sem que a maioria sequer perceba. Acontecem rápido, discretamente, sem o mesmo esforço de explicação que se vê nas publicações.

E é aí que a diferença começa a incomodar. Porque aquilo que impacta diretamente a vida da cidade parece sempre precisar de tempo, enquanto aquilo que impacta diretamente quem decide raramente encontra dificuldade. Não é um episódio, é repetição. E repetição forma padrão. Enquanto a imagem se organiza com cuidado, o conteúdo passa sem o mesmo destaque, enquanto se mostra presença, decisões relevantes atravessam quase em silêncio. E, com o tempo, fica difícil não perceber: quando a propaganda passa a ser maior que o debate, alguma coisa deixou de estar no lugar certo. E o mais curioso é que isso não precisa ser denunciado. Se percebe. Se percebe quando o registro é maior que a explicação, quando o cidadão descobre depois, não participa antes. E, aos poucos, vai se formando uma sensação conhecida.

A de que se fala muito sobre trabalho, mas se fala pouco sobre decisão. A de que se mostra muito o que é feito, mas quase não se discute o que está sendo aprovado. E isso muda tudo. Porque representar não é aparecer, não é produzir conteúdo, não é manter presença. Representar é decidir com transparência, permitir acompanhamento, garantir que quem vive a cidade entenda o que está sendo feito em seu nome. Quando isso não acontece, algo se rompe. Não de forma abrupta, mas de forma contínua, silenciosa e visível para quem observa. No fim, não é sobre redes sociais, não é sobre comunicação. É sobre coerência. E, quando a coerência se perde, não é a imagem que sustenta, é a realidade que revela.



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Escrito por Rogéria Ramos, no dia 15/05/2026

Rogéria Ramos


Rogéria Ramos, presidente da Associação dos Moradores Unidos do Bairro Santo Agostinho E-mail [email protected] Instagram @rogeriaramosss


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