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Padre Ezequiel


A herança do sul: a fé que aquece a alma como o chimarrão



Ao celebrarmos a rica cultura do povo gaúcho, especialmente em torno do 20 de setembro, somos convidados a olhar para além das vestimentas e das danças tradicionais. Somos chamados a mergulhar na alma desta terra, a descobrir uma herança que não se vê, mas se sente: a força de uma fé que floresce nos gestos mais simples e nos valores mais profundos, como o chimarrão e a hospitalidade. O chimarrão é, talvez, o símbolo mais eloquente da alma gaúcha. Muito mais do que uma simples bebida, a cuia que passa de mão em mão é um verdadeiro sacramento da amizade e da partilha. Naquela roda, o tempo parece desacelerar. As palavras fluem com mais sinceridade, as histórias são contadas, os laços se fortalecem. É um ritual de comunhão que nos ensina que a vida é melhor quando partilhada, que a presença do outro aquece mais do que a água quente na bomba. Dessa cultura da partilha, brota a hospitalidade, a porta sempre aberta ao "caminheiro" que chega.

 A casa gaúcha, muitas vezes simples, se agiganta na acolhida. Oferecer um pouso, um prato de comida e a companhia de uma boa conversa é um reflexo direto daquela passagem bíblica que nos convida a não nos esquecermos da hospitalidade, pois, através dela, "alguns, não o sabendo, hospedaram anjos" (Hebreus 13:2).

Essa generosidade é a manifestação de uma fé que enxerga no rosto do estranho a presença de um irmão. Essa herança de fé e valores foi construída sobre o alicerce sólido do legado de nossos antepassados. Homens e mulheres que, com o suor do trabalho e a força da oração, ergueram não apenas casas, mas lares. Lares que, como fortalezas, foram protegidos pela devoção a Jesus, a Maria e aos santos. A fé, nos quatro cantos da casa, sempre foi o escudo contra os maus tempos da vida e a verdadeira fonte de resiliência e coragem do nosso povo.

 A família, nesse contexto, é a "querência" da alma. Não é apenas um lugar geográfico, mas o espaço sagrado do afeto, do pertencimento, o porto seguro para onde sempre se pode voltar. É ali que se aprende o valor da palavra, o respeito aos mais velhos e o amor pela terra que Deus nos deu. E a música, com sua melodia que fala de saudade, de amor e de fé, se torna a trilha sonora que expressa a alma deste povo. Que o amor de Deus, que tantas vezes experimentamos na simplicidade de uma roda de chimarrão e no calor de um lar hospitaleiro, possa nos curar de todo individualismo. Que Ele transforme nossas casas em verdadeiros santuários de partilha e acolhimento. E que Ele nos sustente na fé e nos valores que recebemos de herança, para que possamos passá-los, com orgulho e gratidão, às futuras gerações. Que a chama da tradição gaúcha, aquecida pela fé, nunca se apague.

 

 



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Escrito por Padre Ezequiel, no dia 18/09/2025

Padre Ezequiel Dal Pozzo é sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS). Cant


Padre Ezequiel Dal Pozzo é sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS). Cantor, escritor e compositor, lidera o Projeto Despertai para o Amor, de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou 7 CDs e 2 DVDs e 4 livros e viaja pelo Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações.

Contato: [email protected]



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