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Rogéria Ramos


Quando a palavra incomoda



Há quem veja a palavra como simples discurso. Eu a vejo como semente.

E toda vez que uma semente é lançada, ela tem dois caminhos: pode ser abafada pelo solo duro ou pode romper a terra, crescer e transformar paisagens.

Falar em participação popular, em democracia real, em respeito ao dinheiro público não é novidade. Mas, ainda assim, inquieta. Incomoda justamente porque traz à tona aquilo que muitos prefeririam manter guardado nas gavetas do silêncio. A palavra que ilumina é também a palavra que expõe e quem vive da sombra dificilmente se sente confortável sob a luz.

 Nem sempre é fácil. Quem se levanta em nome da coletividade sabe que estará sujeito a críticas, distorções e até ataques. A história mostra que cada avanço social foi precedido por resistência e por vozes que ousaram não se calar. Mas isso não diminui a importância da fala, ao contrário, apenas confirma a sua força. Porque o silêncio confortável nunca foi aliado da mudança, apenas cúmplice da estagnação.

 A cidade precisa de vozes que não temam fazer perguntas. Precisa de cidadãos atentos, dispostos a ocupar os espaços que a Constituição lhes garante. Precisa de mulheres e homens que entendam que democracia não é plateia: é participação. Não basta assistir, é preciso intervir, questionar, propor, construir.

Não se trata de vaidade pessoal, tampouco de disputa. Trata-se de futuro, trata-se de dignidade, trata-se de garantir que as decisões que impactam o cotidiano da população não se escondam atrás de portas fechadas. O que está em jogo não é quem fala mais alto, mas quem fala com verdade.

A palavra que incomoda é a mesma que desperta. É aquela que provoca reflexão, que tira da zona de conforto, que convida ao pensar coletivo. E, por mais que tentem desacreditá-la, ela seguirá ecoando, porque não é propriedade de quem a profere: é patrimônio de quem a escuta e se reconhece nela.

 E quando alguém tenta silenciar uma voz, outras vozes se levantam. Porque a palavra que nasce do compromisso com o bem comum não é solitária: ela é corrente, é ponte, é chama que se espalha.

No fim, cada ataque não é derrota, é confirmação de que há algo sendo mexido, de que as estruturas estão sendo questionadas. É prova de que estamos no caminho certo.

Porque quem fala em nome do povo não fala sozinho. Fala acompanhado da força de uma cidade inteira que, cedo ou tarde, desperta para o seu próprio poder.

 



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Escrito por Rogéria Ramos, no dia 20/08/2025

Rogéria Ramos


Rogéria Ramos, presidente da Associação dos Moradores Unidos do Bairro Santo Agostinho E-mail [email protected] Instagram @rogeriaramosss


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