Comunidade


Crise vira oportunidade para o setor de consertos e reparos



Se existe um lado positivo em toda crise é a necessidade que ela gera de rever velhos hábitos. Tendo que fazer 'malabarismo' para equilibrar o orçamento, o que acabou indo para o lixo é o hábito de descartar um produto diante do primeiro defeitinho. Quem comemora com isso é o setor de reformas e pequenos reparos. Proprie­tário da Doutor dos Fogões, Nivaldo Ribeiro dos Santos, 60 anos, afirma que a procura pelos serviços rápidos, como conserto de entupimentos e vazamentos, aumentou bastante: "Quando abri a empresa, há 8 anos, achei que somente a manutenção não seria suficiente para atender à despesa. Então, resolvi fazer uma parte de manutenção e outra de topa-tudo (comércio de mercadorias usadas). Com o aumento da demanda, estou pensando em ficar somente com a manutenção".

Com a crise, até os serviços que antes eram mais sazonais têm demanda constante: "Nos fornos dos fogões a gás há um sistema, uma válvula de segurança, que quando não é manuseada corretamente, dá defeito. As pessoas têm o fogão, mas usam pouco o forno. Quando vão usar, descobrem o defeito e chamam a gente. Por isso, a procura era maior na véspera de feriados, como Natal, Ano Novo, Semana Santa", detalha. E se isso antes era o suficiente para levar o consumidor a comprar algo novo, hoje esse novo gasto é reavaliado. No contato diário com os clientes, Nivaldo percebeu que as pessoas se desfaziam de um aparelho com defeito, compravam outro e, muitas vezes, esse novo aparelho não satisfazia às expectativas. "Hoje elas estão se conscientizando de que têm um bom aparelho e, às vezes, é melhor consertar", garante. 

Além da economia gerada por não desembolsar o valor total de um produto novo, a baixa durabilidade dos novos produtos tem sido um ponto considerado pelos clientes: "Os fogões antigos eram de um aço inox que durava 20, 40 anos. Hoje usam um inox muito fraco. Isso quando é de inox. Em boa parte dos casos, usam um aço escovado. Por isso, pode ser melhor reformar do que comprar", considera.  De acordo com Nivaldo, dá para fazer o serviço e deixar o velho com cara de novinho: "Reformamos fogões antigos, que não estão sendo mais fabricados, como Continental e Dako. Trocamos as laterais, colocamos um material bom, consertamos cada defeito e aí o fogão vai durar mais que os novos. Graças a Deus, os clientes saem bastante satisfeitos". E se engana quem pensa que serviço de reparos não tem garantia. O cliente pode ficar tranquilo por até cinco anos, como é o caso de tubulações de gás, ou por meses, em casos mais simples. "A gente estuda cada caso e conversa com o cliente. Vale a pena consertar".

Consertar está na moda

Com criatividade, tem muita gente economizando na hora de renovar o guarda-roupa e descobrindo que quase tudo o que é necessário para estar na moda pode estar ali, esquecido em alguma gaveta do armário. É o que comprova a costureira Maria de Oli­veira Silva. Moradora do bairro Satélite (região noroeste), ela tem visto as encomendas aumentarem nos tempos de crise, a ponto de ter que contar com uma ajudinha extra para dar conta do serviço. "Trabalho com roupas de festa há 2 anos e há 6 faço reparos e reformas. Mas vejo que, nos últimos tempos, a procura tem sido maior. Atu­al­mente, não consigo conciliar o serviço do lar com as costuras. Às vezes, trabalho 14h por dia para dar conta de entregar no prazo. Mesmo tendo a minha nora, que agora me ajuda. O serviço está apertado", afirma.A justificativa para a procura está no preço: "Muita gente acha melhor trocar um zíper por R$15 do que comprar uma calça nova por R$150. Sem contar que, com criatividade dá pra renovar um guarda-roupa inteiro com pouco dinheiro e ficar sempre bem vestido e na moda", afirma.

Há uma grande procura pelo trivial: reparos de roupas femininas e mas­culinas, infantis, como troca de zí­peres, botões, bainhas, ajustes no tamanho. Mas também há quem busque algo novo a partir de uma peça usada. "A gente transforma vestidos em saias, calças em shorts ou saias e estiliza peças usando pouco dinheiro e muita criatividade. A moda está em constante mudança. E as moças, principalmente, para acompanhar, precisam reformar. Senão, o salário delas não é suficiente. Então, eu me esforço muito para fazer exatamente como pedem. As clientes acompanham o trabalho, provam e vamos ajustando tudo sob medida" detalha. E para fazer a moda caber no orçamento, cresceu também a encomenda de roupas de festa: "É mais cômodo comprar pronto. Mas é bem mais barato mandar fazer.  O mesmo vale para roupas de cama. A palavra de ordem hoje é economizar. E sem abrir mão do bom gosto", afirma.

Serviço

Doutor dos Fogões: Rua Dias de Souza, 242, lj 02, Centro

Telefone: 3721-1354   

Maria de Oliveira Silva - Costuras em geral

Telefone: (31) 3761-7341




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Escrito por Rafaela Melo, no dia 07/04/2016


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