Empresa Santa Matilde será reativada



Já havia especulações sobre a “volta” da Santa Matilde, e o espaço físico, localizado no bairro de mesmo nome, começou a ser recuperado.

Um grupo empresarial da região assumiu a massa falida da empresa. As empresas, cujos nomes serão divulgados em breve pelo Jornal CORREIO, têm 90 dias para limpar a área externa e recuperar os galpões (incluindo o telhado, bastante danificado pelas últimas chuvas). Os trabalhos já começaram. A Santa Matilde realizará manutenção em vagões de carga e até 400 postos de trabalho serão criados. Em nossas próximas edições, serão anunciados os nomes das empresas envolvidas no projeto, assim como outros detalhes, como o tempo de duração do contrato.

 

Retrospecto

A massa falida da Santa Matilde permaneceu fechada por aproximadamente dois anos e meio e, em alguns momentos, a situação era de abandono. O muro que cercava a propriedade chegou a cair. Ocorrências de furtos eram constantes, de materiais de pequeno valor. O mato tomou conta da maior parte do terreno, que mede 200 mil m². Pichações, telhas e janelas quebradas faziam parte do cenário. A reportagem do Jornal CORREIO tentou, no início do ano, registrar a realidade do local, mas foi impedida pelos administradores da massa falida. Mesmo assim, pôde-se conferir a situação de abandono.


Em novembro do ano passado, a empresa Progress Rail Service, pertencente a Caterpillar, dos Estados Unidos, enviou dois representantes de São Paulo para conhecer a antiga fábrica, que já chegou a produzir 120 vagões por mês. A visita foi acompanhada por uma de nossas repórteres. Uma comitiva, com cerca de 15 pessoas, entre representantes da prefeitura, da Santa Matilde e empresários, caminhou por mais de uma hora pelos galpões. No início de 2009, houve uma tentativa de venda da massa falida, sem sucesso. Agora, a expectativa é de que o local seja recuperado e volte a gerar empregos.


Na década de 70, a Companhia Industrial Santa Matilde chegou a empregar quase duas mil pessoas. Após um bom período, a empresa fechou as portas em 1984 e permaneceu inativa até 2001, quando antigos funcionários fundaram a Cooperativa Mineira de Equipamentos Ferroviários (Coomefer). Nos primeiros anos de funcionamento, a Coomefer chegou a ter 680 empregados e firmou parceria com a Amsted Maxion, de Cruzeiro (SP). A história começou a mudar no início de 2006. Na época, a Justiça do Trabalho sentenciou que a cooperativa era sucessora da Santa Matilde e que deveria pagar todas as dívidas trabalhistas deixada pela empresa. A unidade da Santa Matilde em Três Rios, na divisa do Rio com Minas, ficou na mesma situação.


A Coomefer recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho, em Belo Horizonte. Em razão da crise, o número de cooperados teve que ser reduzido para cerca de 200. Com a decisão judicial, a contratação dos serviços também foi afetada. A direção da Coomefer alegava, na contestação, que, quando foi constituída a cooperativa, já existia o passivo trabalhista da Santa Matilde e que teria arrendado apenas o parque industrial, pelo qual pagava um aluguel mensal. Em agosto de 2006, o então ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, visitou a Coomefer e prometeu ajuda do governo. “O passado pertence à massa falida, a cooperativa não é propriedade da massa falida, nem dos ativos e nem dos passivos”, enfatizou, durante a visita. Em março de 2008, quando foi determinado o lacramento do pátio, a Coomefer estava com 150 funcionários. As encomendas, no entanto, estavam em baixa desde o fim de 2005, com a falência da Santa Matilde.


Escrito por Arquivo, no dia 17/05/2010