Opinião


Confira o artigo desta semana: O desafio de ser prefeito



Ser prefeito não é fácil. A Administração é a verdadeira epopeia que branqueia cabelos e obstrui coronárias, e “não basta ser honesto, tem de parecer honesto”. Toda transparência é pouca. Quem cuida do dinheiro dos outros não tem presunção de inocência.

Ninguém obriga um político a se candidatar, vai quem quer. Logo, o choro não é livre, e o eleito não deve se melindrar com cobranças e críticas. Se for se incomodar, que não se candidate e vá cuidar de sua vida! Afinal, cargo de prefeito não é estágio para aprendizes, hobby de personalidades ou aventura para desocupados.

É verdade que muitos tentam fazer o melhor, mas não possuem recursos financeiros e humanos para se alcançarem a organização e o planejamento necessários ao sucesso de suas administrações. Por isso, levando em conta que Lafaiete possui mais de 120 mil habitantes, não se admitem como prefeito pessoas que não possuam um mínimo comprometimento, capacidade técnica e diplomacia para se enfrentarem os complexos problemas que assolam a nossa velha Queluz, num caos digno de uma metrópole. Não cabe mais amadorismo.

Prefeitura não é emprego, mas requer dedicação exclusiva para se buscarem soluções em conjunto com um corpo técnico de verdade, ouvindo, principalmente, a sociedade. O que acontece é que os prefeitos colocam nos escalões principais apenas cabos eleitorais e militantes que, quase sempre, não têm capacidade para gerenciar políticas públicas, ainda que tenham boas intenções, das quais, junto com as ideologias, o inferno está cheio. Devemos exigir mais competência e responsabilidade dos que vão gastar os impostos que pagamos.

Segundo os sistemas de informação DATASUS e SIOP, de 2008 a 2012, Lafaiete reduziu a cobertura da população por equipes de atenção básica à saúde, passando de 88,71% em 2008 para 44,99% em 2012, enquanto Congonhas e Barbacena mantiveram percentuais acima de 70% no período. Em 2012, Lafaiete tinha o PIB per capita de R$11.269,21, enquanto o de Congonhas era de R$47.548,36 e Barbacena de R$13.162,78. Logo, temos de ser mais competentes que os municípios mais ricos, se quisermos cuidar minimamente bem de nossa população, o que faltou às últimas administrações para, pelo menos, manter o investimento em Saúde, como deveriam. Afinal, para que se elegeram?

Secretários e subsecretários devem descobrir que seus cargos passam e que pouco estão fazendo para melhorar o que já havia. Em muitos casos, as coisas estão piorando. As associações e os conselhos municipais também devem reciclar seus componentes, se oxigenando, deixando de ter “donos”, sob pena de se tornarem entidades inócuas, engessando ainda mais as ações públicas.

Que se cuidem os próximos prefeitos, e que Deus nos ajude! Os problemas só vão aumentar.


 Valério Augusto de Miranda Ferreira

   Médico

Contato: vamferreira@oi.com.br



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Escrito por Rafaela Melo, no dia 10/07/2015


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