Comunidade


Sem controle, pombos se proliferam e se transformam em praga urbana de Lafaiete

Fontes de zoonoses, como a meningite, criptococose, histoplasmose, ornitose, salmonelose, aves invadem praças, telhados de residências e até escolas


Eles estão por toda parte: nas praças centrais, na rodoviária, no ginásio poliesportivo, na rua Marechal Floriano e até em telhados de escolas. E pode esquecer aquela imagem eu­ro­peia, quase romântica, de velhinhos sorridentes alimentando pombos: em Lafaiete, eles já se tornaram um dos maiores problemas de alta con­­centração populacional, e pelo risco das doen­ças que transmitem, já preocupam a Ge­rência de Vigilância Ambiental da cidade: “Os pombos são potenciais fontes de zoonoses como a meningite, criptococose, histoplasmose, clamidiose, ornitose, salmonelose, dermatites e alergias”, detalha a gerente do departamento, Ju­lia­na de Oliveira Villela. A principal fonte de infecção é o acúmulo de fezes secas contaminadas, que por meio de aerossóis podem ser inalados por pessoas, mas seus ninhos e penas ainda abrigam piolhos, ácaros, percevejos e carrapatos.
Não é preciso ir muito longe para vê-los. Na rodoviária e praça Pimentel Duarte, no Centro, eles deixam sua marca. Na rua Dias de Souza, pombos colorem a fiação e, na passarela, remexem no lixo em busca de alimento. No ginásio poliesportivo, no Carijós, eles estão espalhados e já tomaram conta dos telhados da estrutura, hoje sem uso frequente para o esporte. Também estão na municipal Júlia Miranda, no São João, até mesmo no pátio da escola. Na região da Associação dos Municípios do Alto Paraopeba (Amalpa), eles reinam absolutos e é possível avistar revoadas em quase qualquer hora do dia. Em muitas regiões dessas, há moradores que os alimentam, por apreciar a presença da ave que, de fato, é mesmo graciosa, mas que, nessas condições, está longe de ser inofensiva.
Por essas razões, o controle populacional desse animal tem se tornado uma preocupação constante em Lafaiete e outros pontos do país. Um dos caminhos para isso passa pela conscientização das pessoas, que devem ser esclarecidas sobre os principais aspectos de vida dos pombos e suas implicações à saúde pública. O alerta pode parecer até cruel, mas é necessário: alimentá-los faz com que essa ave, já considerada por muitos como uma ‘praga urbana’, torne-se cada vez mais presente fora do seu habitat natural: “Existe uma variedade de medidas de controle populacional de pombos. Porém, as ações não devem visar a eliminação total dessa espécie, mas um equilíbrio entre ambiente urbano e animal. Trabalhos realizados no Brasil apontam que apenas a supressão da fonte de alimentação alternativa tem resultados significativos na diminuição do contingente de aves em um curto espaço de tempo. A isso, deve-se associar a educação da população, telas nos forros dos telhados e a limpeza do local com grande população de pombos”, pontua.
E quando se fala em suprimir a alimentação de aves que estão livres pelas ruas, não significa que elas morrerão de fome. Uma vez que se veem sem alimento farto, elas mudam de lugar em busca desse alimento. Mas pode haver outros caminhos não tão amistosos. Para evitar a proliferação desenfreada da espécie, considerada por muitos como uma praga urbana, medidas punitivas, como multas, também podem ser utilizadas, por meio da elaboração de leis municipais. “Várias cidades de todo mundo têm legislação específica com aplicação de multa para quem alimenta pombos. No Brasil, fica facultado aos órgãos de segurança pública - Polícia Militar, Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil - o manejo e o controle da fauna cinantrópica nociva, sempre que representar risco à população”, detalha a gerente da Vigilância Ambiental.
Se o contato com pombos faz mal para os humanos, a recíproca também parece ser verdadeira. Isso porque, enquanto um pombo na cidade pode viver, em média, 4 anos, em seu ambiente natural, ele alcança até 15 anos. Como Lafaiete não possui uma legislação que verse sobre o assunto, as ações nesse sentido ainda são bem limitadas e se resumem a tentativa de conscientização em casos de acionamentos e palestras em escolas: “Nossas recomendações são para que o lixo não fique exposto. Deve haver um cuidado especial, também, com a limpeza desses ambientes. Restos de merenda, farelos e qualquer coisa que sirva de alimento só estimulam a presença e multiplicação dos pombos. Os vendedores de alimentos e a população devem ser orientados a não fornecer alimentação para esse fim”, explica Juliana Villela.
Para casos mais complicados, o Centro de Zoonoses orienta a contratação de empresas especializadas para limpeza de toda área do telhado, colocação de telas e aplicação de repelentes. “É bom destacar que os repelentes são atóxicos e devem ser aplicados nos locais de pouso, normalmente beirais, deixando 3mm de espessura por 3 cm de largura”, acrescenta. Para quem vai optar por fazer a limpeza em casa, os cuidados também são essenciais. Isso porque, conforme já alertado, os fungos e bactérias presentes nas fezes, penas e ninhos se espalham pelo ar. Por isso, para a limpeza dos dejetos, recomenda-se nunca varrer fezes secas, sempre umidificá-las antes da retirada, evitando a contaminação. “O Setor de Zoonoses está à disposição para orientação do serviço e para instruir sobre o manejo dos ninhos eventualmente retirados”, finaliza.


Mais informações você pode obter no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Rua Pedro Camargo, 240, São Sebastião. Telefone: 3769-2229.




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Escrito por Redação, no dia 05/09/2019


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